Circuito do Ouro é destino de Afroturismo em Minas Gerais

Amanhã (20), é celebrado o Dia da Consciência Negra, que ganha um novo significado nas cidades que compõem o Circuito do Ouro, em Minas Gerais. A região turística, conhecida por preservar a história da época do ciclo do ouro no país é palco da resistência e valorização da cultura afro-brasileira, reunindo comunidades e manifestações culturais que mantêm viva a memória e o protagonismo do povo negro.

Neste mês (11), dedicado à reflexão sobre a luta contra o racismo e à promoção da igualdade racial, o Circuito do Ouro chama a atenção para o papel do turismo na valorização da cultura afro-brasileira. O chamado Afroturismo, movimento que incentiva viajantes a conhecerem e reconhecerem a história, a arte e as tradições negras, ganham cada vez mais espaço.

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O Afroturismo se manifesta em várias cidades históricas mineiras, por meio de rotas específicas, eventos, comunidades afrodescendentes, espaços culturais e gastronomia típica , que conectam o visitante às raízes africanas do Brasil. Para quem visita o Circuito do Ouro e deseja conhecer a história e a cultura afro-brasileira, as opções de turismo geralmente incluem: passeios por museus que remontam a história dos povos negros da região; participação em festejos e manifestações culturais que valorizem a cultura negra; gastronomia que se manifesta na comida ancestral; visitas a antigas minas, que abordam a história da extração de ouro e o trabalho escravizado, proporcionando uma imersão na realidade da época.

Além disso, guias e afroempreendedores locais especializados enriquecem a experiência, oferecendo uma perspectiva negra que aprofunda o entendimento dos viajantes sobre cada destino, com roteiros afrocentrados.

Um de seus roteiros personalizados mais completos de Afroturismo em Ouro Preto inicia percorrendo o Bairro São João localizado na parte antiga da cidade, onde os visitantes são situados sobre a história do território. Depois, a visitação segue para o Sítio Arqueológico do Morro da Queimada, “com visita ao moinho de pedra e às ruínas, onde contextualizamos as práticas de mineração, as técnicas utilizadas à época e os processos desenvolvidos pela mão de obra escravizada”, conta a guia de turismo e empresária da agência receptiva Na Trilha Ouro Preto, Cleide Nolasco.

Este roteiro conta ainda com trilha pelo alto da serra de Ouro Preto, caminhando pelos antigos aquedutos do século XVIII, entendendo a engenharia, a geologia, as rotas de circulação e a força intelectual dos negros que estruturaram a cidade. E finaliza descendo até a Mina du Veloso, encerrando com uma imersão dentro da mina, espaço que materializa a potência, a resistência e a herança deixada pelos antepassados.

“Sempre fiz questão de trazer o Afroturismo como base dos meus roteiros. Para mim, isso vai muito além de turismo, é perpetuar a herança da minha ancestralidade, honrar a história do meu povo e devolver ao negro o lugar de protagonista que sempre foi dele”, afirma Cleide.

A agência HT Happy Travel, que atua com turismo privativo sob demanda, também oferece em Ouro Preto um tour afrocentrado que passa pelos principais pontos turísticos, com foco na importância e contribuição dos negros na arquitetura, na arte, na cultura e religiosidade impregnada em cada espaço da cidade. “ Visitamos alguns pontos icônicos como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e a Mina de Chico Rei, por exemplo, para destacar a história e a presença de personagens importantes do período”, conta o diretor da agência Ricardo Campos.

“Um tour com esse olhar sensível sobre a história e a presença da comunidade afro em Ouro Preto revela o que os livros de história nunca contaram, que é a importância dessa comunidade para o desenvolvimento de vários aspectos da sociedade mineira”, completa.

A cultura negra também se manifesta em outros eventos, sabores e expressões culturais e outros destinos e comunidades quilombolas do Circuito do Ouro também traduzem a força e a riqueza do Afroturismo. Confira quais são os 18 municípios que fazem parte do Circuito do Ouro:

  • Congonhas; Ouro Branco; Ouro Preto; Mariana; Rio Acima; Itabirito; Nova Lima; Sabará; Raposos; Santa Luzia; Caeté; Barão de Cocais; Santa Bárbara; Catas Altas; Itabira; Nova Era; São Gonçalo do Rio Abaixo e Bom Jesus do Amparo.

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