No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) divulgou o relato de uma jovem vítima de estupro cometido por um colega de faculdade. O depoimento foi feito ao próprio MPMG e destaca o impacto da violência e o processo de recuperação com apoio do Centro Estadual de Apoio às Vítimas – Casa Lilian, em Belo Horizonte.
Criada pelo Ministério Público mineiro, a Casa Lilian oferece atendimento a vítimas de crimes e seus familiares em todo o estado. O espaço conta com salas de escuta especializada, terapias e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar formada por promotoras e psicólogas, que auxiliam as vítimas durante o processo judicial e na recuperação física e emocional.
No relato, a jovem descreve como a violência interrompeu sua rotina e transformou o ambiente universitário em um espaço de sofrimento. Segundo ela, o fato de o agressor continuar frequentando o mesmo campus tornou a situação ainda mais difícil.
“Meu sonho que era entrar nesse curso se tornou um pesadelo. Porque o meu curso se tornou um lugar repleto de gatilhos. Eu tranquei a faculdade. Eu não consegui continuar assim. Eu fui perdendo muitas aulas, muitas provas, ao ponto em que nos últimos meses eu tive que trancar. Eu fui forçada a isso. Meu mundo parou. Eu não conseguia ir pra faculdade. Era muito difícil acordar na manhã. Era muito difícil viver.”
Ela relata que, após o crime, passou a enfrentar um período de forte sofrimento emocional e psicológico.
“Depois de sofrer uma violência, eu me vi como uma pessoa sem valor. Passei a ter comportamentos de risco. Eu ia tomar medicações pesadas que eu nunca tinha tomado antes. Foi o ponto mais baixo da minha vida. Eu não conseguia tomar banho, porque quando eu ia tomar banho eu tinha que olhar para o meu corpo e eu tinha muito nojo de olhar para o meu corpo. Parece que quando você sofre um abuso, o seu corpo deixa de ser seu e se torna um instrumento de violência.”
Além do trauma provocado pelo crime, a jovem conta que também enfrentou comentários que tentavam responsabilizá-la pelo ocorrido.
“Culparam a roupa que eu estava usando, culparam o ambiente que eu estava, me culparam porque eu era muito simpática. Nas primeiras semanas eu estava me culpando pelo que aconteceu. Eu achava que era culpa minha.”
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Acolhimento e recuperação
Segundo a vítima, a busca por ajuda no Centro Estadual de Apoio às Vítimas – Casa Lilian marcou o início de um processo de recuperação.
“Quando eu cheguei aqui eu estava muito desesperada, muito aflita, sem direção. Eu não achava que eu tinha valor como pessoa. Eu tava pronta pra me matar. A minha psicóloga me ajudou a entrar nos eixos, a entender que não era culpa minha. Me ajudou a entender que eu tinha valor como pessoa e que eu era muito mais do que a violência que eu sofri.”
Com o acompanhamento da equipe do centro e medidas jurídicas adotadas no caso, ela afirma que conseguiu recuperar parte da segurança e retomar gradualmente sua vida.
“Eu acho que se eu não tivesse esse suporte eu não estaria aqui. Aos poucos eu fui voltando ao eixo. Eu consegui processar e digerir o que eu passei. Hoje eu tô animada pra voltar para esse semestre. Pelo menos essa violência vai ficar fora da faculdade.”
O Centro Estadual de Apoio às Vítimas – Casa Lilian, criado pelo MPMG, presta atendimento integral a vítimas, familiares e comunidades afetadas por crimes em Minas Gerais. Entre os casos atendidos estão situações de violência sexual contra crianças, adolescentes, adultos e idosos; crimes contra a vida, como homicídio e feminicídio; além de racismo e outras formas de discriminação e crimes de ódio.
Confira o relato completo:
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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
