O Quilombo de Gesteira, em Barra Longa (MG), sedia a partir desta sexta-feira (21) a Primeira Pré-Jornada de Agroecologia do território, que segue até domingo (23) com atividades voltadas ao fortalecimento de comunidades tradicionais, povos originários e movimentos sociais da região de Ouro Preto, Mariana e entorno. Durante o evento, também será apresentado o espetáculo teatral “Vozes de Gesteira”, que estreia neste sábado (22), às 17h.
O espetáculo é fruto de um trabalho realizado entre julho e novembro, que envolveu mais de 40 moradores da comunidade quilombola. Construída de forma coletiva ao longo de 12 oficinas conduzidas por arte-educadores de Ouro Preto, a montagem busca preservar e difundir as histórias de Gesteira, fortalecendo seu patrimônio imaterial. A peça faz ecoar denúncias sobre os impactos da mineração no território e transforma em cena as vivências, memórias e resistências da comunidade.
A produção conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do Edital 08/2024, na categoria de apoio ao teatro. O elenco é formado por artistas quilombolas: Carlos Antônio, Creuza Gomes, Davidy Marques, Eva Cris, Fia Etelvino, Joyce Cristina, Kely Santos, Ladir Jesus, Lourdes Evangelista, Maria da Graça, Marli Silva, Nilce Batista, Odair José, Raimundo Ribeiro, Rosângela Silva, Simone Silva e Vera Aleixo. A direção cênica e arte-educação são assinadas por Filipe Conde Mascaro, Pedro Petindá e Raquel Silva. O projeto também conta com interpretação em Libras feita por Jaqueline Matias e equipe técnica formada por profissionais das áreas de cenário, figurino, cenotecnia, audiovisual, fotografia e produção.
Além do teatro, a Pré-Jornada de Agroecologia promove rodas de conversa, mutirões, atividades culturais e espaços de formação. O objetivo é fortalecer alianças entre comunidades tradicionais, territórios atingidos pela mineração, ocupações urbanas e rurais, além de fomentar o debate sobre a preservação dos territórios como instrumento de autonomia.
Entre as principais ações está o mutirão para criação do memorial “Voz e Resistência: A Lama e o Sistema Não Calarão a Nossa Voz”, que acontece no espaço da antiga Escola Municipal Gustavo Capanema, área atingida pelos rejeitos do rompimento da Barragem do Fundão, em 2015. O local recebe ações de capina, construção de estruturas em bambu e atividades simbólicas de preservação da memória.
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A programação começou ainda na quinta-feira (20), com o evento “Aquilombar Ouro Preto”, em alusão ao Dia da Consciência Negra. Nesta sexta (21), a abertura oficial conta com recepção aos territórios, mística de abertura com o grupo quilombola Fênix, mutirão no memorial, atividades lúdicas para crianças, pesca tradicional noturna e sessão de Cinequilombola.
No sábado (22), além da continuidade dos mutirões, o público participa de rodas de conversa sobre a luta dos territórios atingidos pela mineração, oficinas para crianças, espaço de benzimento com benzedeiras tradicionais e, às 17h, da estreia de “Vozes de Gesteira”. À noite, está prevista roda de samba com a Bateria Carabina.
Já no domingo (23), o encerramento inclui debates sobre os próximos passos da Teia dos Povos da Bacia do Rio Doce, finalização das ações coletivas e a leitura da Carta da Pré-Jornada do Quilombo Gesteira, com o tema “Território, Ancestralidade e Luta: a preservação dos Quilombos como Guardiões da biodiversidade e da memória nacional”.
O evento acontece no Quilombo de Gesteira, em Bonfim da Barra, com alimentação incluída para os participantes. A hospedagem será em casas solidárias da comunidade, com orientação para que os visitantes levem itens de uso pessoal e roupa de cama.
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Graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e O Mundo dos Inconfidentes.
