Medo, pressão e impactos à saúde mental: moradores de Ouro Preto relatam efeitos da mineração

Medo, pressão e impactos à saúde mental: moradores de Ouro Preto relatam efeitos da mineração

Moradores de Ouro Preto relataram medo constante, adoecimento mental e dificuldades no diálogo com mineradoras durante reunião da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, realizada na segunda-feira (4). O encontro ocorreu no distrito de Antônio Pereira, diretamente afetado pela barragem Doutor, estrutura da Vale.

Mesmo com as operações encerradas há quase sete anos, a barragem continua sendo motivo de insegurança para a população local. A estrutura está localizada acima da comunidade e ainda abriga mais de 30 milhões de metros cúbicos de rejeitos, volume superior ao da barragem de Córrego do Feijão, que se rompeu em 2019, em Brumadinho.

Durante a reunião, a deputada Bella Gonçalves afirmou que os relatos apontam para uma situação generalizada de sofrimento psicológico. “Os moradores vivem uma verdadeira pandemia de adoecimento mental”, declarou.

Moradora de Antônio Pereira, Carla Dayane Moreira Dias descreveu o clima de tensão vivido na comunidade. “A cada trovoada, a gente pensa que é o rompimento da barragem”, relatou, destacando que o medo atinge inclusive crianças.

Além da insegurança, moradores também criticaram a falta de transparência nas ações da empresa. Maria Helena Rocha Ferreira afirmou que a população não recebe informações suficientes sobre o andamento das obras de descaracterização nem sobre os treinamentos de evacuação. “A empresa não respeita a comunidade. Está ficando inviável viver aqui. Estou me vendo obrigada a ir embora”, disse.

Outro ponto levantado foi o processo de indenização das famílias que vivem na chamada mancha de inundação. Segundo relatos, os valores pagos consideram apenas os imóveis, sem incluir os impactos à saúde mental. Também foram mencionadas pressões para a assinatura de acordos extrajudiciais.

Representantes da Vale rebateram as críticas e afirmaram que a empresa mantém canais de informação com a comunidade. Segundo a mineradora, a barragem não apresenta risco de rompimento e já teve cerca de 3 milhões de metros cúbicos de água drenados. A previsão é que o processo de descaracterização seja concluído até 2029, seguindo as exigências da legislação federal.

Medo, pressão e impactos à saúde mental: moradores de Ouro Preto relatam efeitos da mineração
Barragem de Doutor – Antônio Pereira / Foto: Ramon Bitencourt

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A empresa também informou que 181 famílias já foram indenizadas e que os valores pagos são superiores aos de mercado. As negociações, segundo a Vale, são realizadas de forma individual.

Para a deputada Bella Gonçalves, no entanto, a situação ainda exige atenção. “A barragem de Doutor é uma bomba-relógio”, afirmou, acrescentando que pretende cobrar mais agilidade nos processos de indenização.

A comissão também visitou a comunidade de Botafogo, onde moradores demonstraram preocupação com o avanço da mineração sobre a Serra de Ouro Preto. A região é considerada estratégica para o abastecimento de água de cerca de 15 mil pessoas.

Segundo lideranças locais, novos processos de licenciamento podem ampliar a presença de mineradoras na área. A parlamentar informou que pretende propor o tombamento da serra como patrimônio natural do Estado, como forma de proteção ambiental e contenção do avanço das atividades minerárias.

Fonte: ALMG

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