Canetas emagrecedoras e a necessidade do acompanhamento multiprofissional

Canetas emagrecedoras e a necessidade do acompanhamento multiprofissional

A obesidade é uma doença crônica não transmissível (DNT) que atinge globalmente cerca de 1 bilhão de pessoas (OMS, 2025). Estima-se que até 2030, esses valores possam duplicar, atingindo adultos e crianças devido ao desenvolvimento de maus hábitos alimentares e recidiva por descontrole dos fatores de risco, tornando-se um desafio à saúde pública. 

As canetas, amplamente divulgadas no mercado como emagrecedoras, foram desenvolvidas para o tratamento de Diabetes Mellitus e o emagrecimento é um efeito colateral da medicação. Uma vez que atuam como inibidores de hormônios produzidos pelo corpo humano, glucagon tipo 1 (GLP-1) e o polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP), são capazes de reduzir a fome por retardar o esvaziamento gástrico, melhorar o perfil insulínico e apoiar o paciente para uma mudança de hábitos.

A disseminação dos resultados em indivíduos com sobrepeso, obesos e comprometidos por comorbidades, fez com que os análogos deixassem de ser foco do público alvo e atraiu também a atenção para fins estéticos, induzindo ao consumo indiscriminado e sem prescrição. Essa conduta ignora as necessidades de um acompanhamento multiprofissional ético por especialistas da Atenção Primária da Saúde, como médicos, nutricionistas, educadores físicos, enfermeiros, farmacêuticos e psicólogos.

O alerta dos riscos surge quando as práticas controladas do uso e o protocolo de ajustes são ignorados. A aplicação indevida pode trazer inúmeros danos a longo prazo, além do reganho de peso. Estão associados ao contexto problemas gastrointestinais, perda de massa magra (sarcopenia), desidratação, desnutrição funcional, complicações cardiológicas e renais, entre outros desconhecidos, ainda que a aparência física esteja dentro da padronização cultural. 

Indivíduos submetidos ao tratamento apresentam alterações no perfil metabólico e estão sujeitos a efeitos adversos ou insatisfatórios para aquele tipo de droga, explicitando que os fármacos agem bioquimicamente de forma única para cada organismo e não devem ser generalizados. 

O suporte do GLP-1/GIP requer acompanhamento médico para verificação da necessidade e controle das doses. A adequação nutricional conduzida por nutricionistas é necessária para atingir um aporte satisfatório e eficiente para a reeducação alimentar e para o planejamento dietético correto, personalizando o emagrecimento ponderal e saudável. O aumento da estruturação muscular orientada por educadores da saúde e apoio psicológico são de grande importância para potencializar o tratamento e elevar a adesão terapêutica a longo prazo.  

Estima-se que 5% a 6% dos lares brasileiros, tem ou já teve quem fez uso dessas substâncias (CRF-GO, 2026), mesmo que pouco familiarizados quanto a conduta correta. Alcançar um índice de massa corporal desejado sem o acompanhamento necessário, tende a desconsiderar fatores como envelhecimento natural ou induzido por doenças, perda de massa magra com redução da força a longo prazo e a estabilidade de biomarcadores fisiológicos, estimulando limitações por perda da saúde integral, o que sobrecarrega o sistema de sáude por questões emergenciais, vulnerabilizando a abrangência especializada para quem fundamentalmente necessita.

As terapias farmacológicas da tizerpatida, semaglutida e liraglutida não devem ser consideradas “dietas” da moda para redução rápida de peso e muito menos uma forma de déficit calórico intermitente, são estratégias complexas que demandam atenção, responsabilidade e acompanhamento contínuo. 

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