Ouro Preto receberá, no próximo domingo (27), às 16h, a apresentação oficial da Carta do Pilar, documento elaborado pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG) para nortear o planejamento do setor nos próximos anos. A solenidade será realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Rosário, marcando as celebrações do Dia Mundial do Turismo.
A iniciativa reúne a Secult-MG, a Paróquia e Basílica Menor do Pilar e a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos. A programação inclui a celebração de uma missa em ação de graças e a leitura pública do documento, que reúne princípios voltados à preservação da identidade cultural, ao fomento de economias comunitárias e à descentralização das atividades turísticas pelo território mineiro.
O lançamento ocorre cinco anos após a apresentação do plano Reviva Turismo, anunciado em setembro de 2021 na Basílica do Pilar como estratégia de enfrentamento aos impactos econômicos da pandemia de Covid-19. Naquele período, o fluxo anual de visitantes no estado havia caído de 30,4 milhões (registrados em 2019) para 17,6 milhões. O setor registrou expansão de 15% em 2023 e atingiu o total de 33 milhões de visitantes em 2025.
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Turismo cultural e identidade comunitária
A escolha da Igreja do Rosário dos Pretos para a apresentação do documento estabelece uma conexão com a história das irmandades negras, cujos registros locais remontam a 1715 e fundamentam celebrações tradicionais como os Reinados e Congados.
Segundo o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, a Carta propõe uma mudança na abordagem das políticas públicas, estabelecendo que práticas comunitárias, tradições e espaços de culto não devem ser tratados como meros cenários comerciais.
“A Carta do Pilar nasce em 2021, quando lançamos o Reviva Turismo. Cinco anos depois, voltamos a Ouro Preto para apresentar os princípios que vão nortear o turismo em Minas Gerais. A força do estado está na permanência de culturas que possuem memória, comunidade e função social. O turismo deve ser capaz de fortalecer as comunidades e proteger a vida dos lugares”, afirma o secretário.
Dados da Secult-MG indicam que o patrimônio histórico, as celebrações religiosas e os bens culturais constituem a principal motivação de viagem para 36% das pessoas que visitam Minas Gerais. Esse segmento, associado a festas de padroeiros, romarias e caminhos de peregrinação, movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano na economia do estado.
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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
