O helicóptero Arcanjo 04, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, decolou com visibilidade cinco vezes menor que o mínimo exigido e bateu na Serra do Amolar apenas 56 segundos após deixar o solo em Ouro Preto. A conclusão está no relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado na quarta-feira (28), sobre a tragédia que matou seis pessoas em 11 de outubro de 2024.
De acordo o Relatório Final A-144/CENIPA/2024, a aeronave não apresentou nenhuma falha mecânica e estava com a manutenção e o peso regulares. O acidente foi causado por uma soma de mau tempo, falhas na avaliação de riscos no momento da partida e lacunas no treinamento e na rotina de trabalho da unidade aérea.
Os peritos reconstituíram os minutos que antecederam a batida usando dois vídeos: um feito por uma pessoa em solo e outro gravado por um dos passageiros dentro da cabine.
A equipe estava no município para apoiar as buscas a um avião monomotor que havia caído no mesmo dia. Diante do mau tempo, o piloto fez um pouso preventivo perto do trevo da BR-356 e solicitou um carro para levar o grupo de volta a Belo Horizonte por terra.
Antes da chegada do veículo, às 17h45, a tripulação interpretou uma abertura temporária no tempo como a última oportunidade de retorno aéreo devido à proximidade da noite e decidiu decolar. Trinta segundos depois da partida, o helicóptero entrou em uma camada de nuvens e os pilotos perderam a referência visual do solo. Aos 56 segundos de voo, a aeronave atingiu o topo da serra.
A colisão foi classificada tecnicamente como voo controlado contra o terreno, termo usado para situações em que os motores e controles funcionam normalmente, mas a tripulação não vê o obstáculo a tempo de impedir o impacto.
O Cenipa identificou que os dois pilotos da aeronave não haviam feito a edição de 2023 do treinamento de Gerenciamento de Recursos da Tripulação (CRM). A capacitação ensina técnicas de comunicação e resolução de problemas sob pressão em cabine e, apesar de exigida pelas normas de aviação, não era cobrada como obrigatória pela unidade dos Bombeiros.
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O relatório também registrou que a rotina interna mantinha foco em exercícios de resgate, enquanto manobras de pouso e decolagem tinham menos espaço. Além disso, os investigadores relataram acúmulo de funções e sobrecarga de serviço entre os tripulantes, embora não tenham determinado se o cansaço influenciou diretamente o acidente.
Após a ocorrência em 2024, o Corpo de Bombeiros refez as escalas para diminuir a carga de trabalho, incluiu acompanhamento psicológico para o setor aéreo e revisou seus manuais de voo. O Cenipa expediu recomendações à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para que audite e cobre a realização dos cursos obrigatórios em frotas públicas.
Vítimas
A colisão causou a morte dos seis ocupantes da aeronave:
- Capitão Wilker Tadeu Alves da Silva (piloto e comandante – CBMMG)
- Primeiro-tenente Victor Stehling Schirmer (copiloto – CBMMG)
- Segundo-sargento Welerson Gonçalves Filgueiros (tripulante operacional – CBMMG)
- Terceiro-sargento Gabriel Ferreira Lima e Silva (tripulante operacional – CBMMG)
- Marcos Rodrigo Marques Trindade (médico – Samu)
- Bruno Sudário França (enfermeiro – Samu)
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