Naiara Alfenas sobreviveu ao acidente que matou o pai, a irmã gêmea e o sobrinho de apenas um ano na BR-040, em Itabirito, em julho de 2024. Mais de dois anos depois, a investigação policial sobre o caso ainda não foi concluída. A família e o advogado que acompanham o caso aguardam o esclarecimento de pontos que consideram importantes para a investigação, como a localização e o depoimento do motorista do caminhão e a obtenção de documentos relacionados à carga e ao veículo.
O acidente ocorreu na tarde de 21 de julho de 2024, no quilômetro 587,7 da BR-040, em Itabirito. O Honda WR-V em que Naiara viajava com a família seguia em direção a Belo Horizonte quando foi atingido de frente por uma combinação de veículos de carga, que trafegava no sentido contrário.
O Jornal Geraes teve acesso ao Laudo Pericial de Acidente de Trânsito elaborado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), que apontou que o fator determinante do acidente foi a perda de controle da direção pelo motorista do veículo de carga ao fazer uma curva em declive. Após o tombamento, o caminhão invadiu a contramão e atingiu frontalmente o automóvel.
O impacto destruiu o carro da família. Helvecio Araujo Alfenas, de 73 anos, pai de Naiara, morreu preso às ferragens. A irmã gêmea dela, Natalia de Souza Alfenas, foi retirada com vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante o atendimento no local. O sobrinho de Naiara, Arthur de Souza Born, de 1 ano, foi resgatado com lesões graves, mas morreu posteriormente após dar entrada no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
Naiara sofreu lesões graves. No caminhão, uma passageira também ficou gravemente ferida, enquanto o motorista sofreu lesões leves e uma criança de cinco anos que estava no veículo saiu ilesa.

O que diz o laudo da PRF?
O laudo da PRF, finalizado em agosto de 2024, não identificou falhas mecânicas prévias nos sistemas de freios e suspensão do caminhão e registrou que os pneus estavam em bom estado. Segundo a perícia, não foram encontradas avarias aparentes que pudessem justificar o tombamento da carreta.
As condições da BR-040 também foram analisadas. O pavimento estava seco e em estado regular de conservação, o céu estava claro e a sinalização estava presente e regular. O limite de velocidade indicado para o trecho era de 60 km/h.
A perícia também registrou que o cronotacógrafo — equipamento que registra informações como velocidade e tempo de operação do veículo —, não estava na cabine do caminhão e que as notas fiscais da carga não foram localizadas no local do acidente. Segundo o laudo, a ausência das notas fiscais impossibilitou o levantamento da quantidade e do peso da carga.
O laudo identificou Marcone Batista da Silva como o motorista que conduzia o caminhão e registrou que ele foi encaminhado ao Hospital João XXIII após sofrer lesões leves. O relatório identificou ainda uma testemunha ocular e registrou que câmeras de segurança de um restaurante próximo captaram a dinâmica do acidente. As imagens foram recolhidas e anexadas ao material produzido pela PRF.

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Acidente na BR-040: o andamento do inquérito policial
Apesar da conclusão da perícia da PRF em 2024, o inquérito policial sobre o acidente ainda não foi concluído. Segundo o advogado da família, Mário Augusto de Araújo Luzzi Júnior, o procedimento foi novamente prorrogado e tem prazo até 22 de outubro de 2026.
Ainda segundo o advogado, embora o motorista tenha sido identificado pela PRF e atendido após o acidente, ele não foi localizado posteriormente para as diligências realizadas no curso da investigação.
Para Naiara, a investigação praticamente não apresentou novos avanços relevantes. Segundo ela, depois de diligências realizadas em Belo Horizonte e do envio das informações para Itabirito, o motorista do caminhão e a testemunha mencionada no procedimento não foram localizados. A testemunha, de acordo com Naiara, chegou a ser intimada para prestar depoimento, mas não compareceu.
“A informação mais recente que recebi é que o inquérito policial praticamente não teve novos avanços. A testemunha chegou a ser intimada para prestar depoimento, mas não compareceu”, relata.
A sobrevivente afirma que espera o esclarecimento das circunstâncias do acidente e dos elementos relacionados ao caminhão e à carga.
“Gostaria que fossem esclarecidos o que o veículo transportava, qual era o peso da carga, onde estão os documentos fiscais, o que ocorreu com o cronotacógrafo e, principalmente, que o motorista possa ser localizado e ouvido”, pontua Naiara.
A reportagem procurou a Polícia Rodoviária Federal, que informou que a investigação e a apuração de sinistros com vítimas são de responsabilidade da Polícia Civil. Segundo a PRF, sua atuação consiste na confecção do boletim de ocorrência e no encaminhamento à Polícia Civil.
A reportagem também procurou a Polícia Civil de Minas Gerais para questionar sobre o andamento do inquérito, as diligências pendentes, a situação do motorista, a localização dos documentos e do cronotacógrafo e uma possível previsão para conclusão do caso.
Em resposta, a PCMG informou apenas que “o inquérito policial encontra-se em tramitação, estando em andamento as diligências necessárias para o completo esclarecimento dos fatos”. A corporação não informou uma previsão para a conclusão do inquérito.
Além do inquérito policial, tramita na Justiça um processo de indenização relacionado ao caso. Segundo o advogado da família, a audiência de instrução está marcada para 20 de outubro de 2026.
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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
