Novembro Negro traz reflexões e ancestralidade para Ouro Preto

A edição 2025 do Novembro Negro Ouro Preto será realizada entre os dias 20 e 27 de novembro, com atividades promovidas pela Prefeitura de Ouro Preto e organizadas pela Secretaria de Cultura e Turismo. A semana reúne debates, música, performances, rodas de conversa e ações em espaços simbólicos para a memória e resistência da população negra, como a Casa de Cultura Negra, no Padre Faria, e a Câmara Municipal, no Centro.

O Novembro Negro Ouro Preto reforça a centralidade do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro e instituído como feriado nacional em 2023. A proposta é utilizar a cultura como instrumento de reflexão sobre ancestralidade, políticas públicas raciais e história afro-brasileira, destacando a data como momento de luta, afirmação e reconhecimento das identidades negras.

Entre os destaques da programação está o evento “Ouro Negro, Memória Viva”, marcado para 27 de novembro na Câmara Municipal. A atividade marca os 20 anos da mudança do lema da bandeira de Ouro Preto, ocorrida em 2005, quando a expressão latina “Proetiosum tamen nigrum” (“Precioso ainda que negro”) foi substituída por “Proetiosum aurum nigrum” (“Precioso ouro negro”). O encontro traz mesa de debate sobre “Símbolos, memória e reparação” e integra as ações finais da semana.

A programação tem início na quinta-feira, 20 de novembro, com atividades na Casa de Cultura Negra. Às 16h, a roda de conversa “Comunidade de Terreiro” reúne integrantes do Ilê Asè Ofa Logundé – Casa Vô João, da Tenda de Ogum – Ilé Axé Ati Òró Exu Elegbará e da Choupana de Xapanã, propondo um diálogo sobre religiosidades afro-brasileiras, tradição e resistência. Mais tarde, às 19h, o espaço recebe o concerto didático das oficinas de musicalização baseadas em saberes tradicionais, destacando a importância da oralidade e da transmissão ancestral.

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No domingo, 23 de novembro, a música volta a ocupar a agenda com a atividade “Roda de samba é Filosofia do samba e seus fundamentos – Memória, ancestralidade e patrimônio”, marcada para as 16h. Logo após o encontro, o público poderá acompanhar uma roda de samba na Praça Agostinho Ferreira Guimarães, ao lado da sede da Escola de Samba Unidos do Padre Faria, reforçando a presença do samba como linguagem de identidade e pertencimento na comunidade.

A semana segue na segunda-feira, 24 de novembro, com a abertura da exposição e performance “Hip Hop na Apae Ouro Preto”, às 18h, também na Casa de Cultura Negra. A ação destaca expressões contemporâneas da cultura negra e evidencia o papel do hip hop como ferramenta educativa e de inclusão social.

Na terça-feira, 25 de novembro, a artista Lucimélia Romão apresenta a ação performática “Mulheres do Lar – Mortes Anunciadas”, no mesmo espaço. A intervenção aborda violências estruturais e a experiência de mulheres negras no cotidiano, convidando o público a refletir sobre desigualdades e silenciamentos históricos.

A programação de quarta-feira, 26 de novembro, oferece nova oportunidade de debate com a roda de conversa “Mulheres que mandigam com o Sagrado”, às 19h. Participam da atividade Luana Mol, Marize Guimarães e Lolô Nagô, que discutem espiritualidade, corporeidade e práticas de cuidado dentro das tradições de matriz africana.

O encerramento da semana ocorre na quinta-feira, 27 de novembro, na Câmara Municipal de Ouro Preto, com o evento “Ouro Negro, Memória Viva”. A partir das 18h30, haverá abertura solene com o hasteamento da bandeira com o lema atual e execução do Hino Nacional. Às 19h, tem início a mesa de debate “Símbolos, memória e reparação: 20 anos da mudança da bandeira de Ouro Preto”, reunindo pesquisadores, autoridades e representantes do movimento negro.

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