Ocupações irregulares avançam e expõem crise habitacional em Mariana

Ocupações irregulares avançam e expõem crise habitacional em Mariana

As ocupações irregulares em Mariana formaram ao longo dos últimos anos um cenário de crescente crise habitacional, com impactos sociais, urbanos e ambientais. Levantamentos recentes indicam que cerca de 3 mil famílias, somando aproximadamente 11 mil pessoas, vivem hoje sob risco de remoção, especialmente na chamada “Cidade Alta”.

O histórico remonta a pelo menos 2019, quando a prefeitura realizou uma operação de desocupação no bairro Santa Clara, em área de preservação ambiental. Na ocasião, aproximadamente 100 lotes demarcados foram desfeitos e invasores notificados. À época, não havia um diagnóstico consolidado do problema no município.

Em 2024, o cenário ganhou contornos mais definidos com o início do processo de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O cadastramento inicial previa cerca de 2.500 residências nos bairros Rosário, Novo Horizonte, Morada do Sol e Fonte da Saudade. No mesmo ano, estimativas apontaram cerca de 5 mil moradias irregulares, número que depois foi atualizado para 8 mil famílias e, posteriormente, 12 mil famílias sem documentação adequada.

Foto: ALMG

Ainda em 2024, ações de fiscalização foram intensificadas. Uma das operações de maior visibilidade ocorreu na Vila Serrinha, onde estruturas foram demolidas e um trator foi apreendido, evidenciando esquemas de parcelamento irregular de terras. Apesar das intervenções, as ofensivas foram consideradas pontuais e sem alcance suficiente para conter o avanço das invasões.

Em 2025, o tema ganhou maior relevo no debate público. Audiências realizadas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em novembro, revelaram a dimensão do problema. Estimativas apresentadas no Legislativo apontaram cerca de 3 mil famílias vivendo em ocupações irregulares, concentradas em bairros como Cabanas, Santa Rita, Santa Clara, Cristo, Serrinha e Vila Renascer.

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Um dos principais focos de tensão envolve as terras da Mina da Passagem, onde cerca de 3 mil casas estariam em áreas judicialmente reivindicadas pela mineradora. O risco de despejos em massa passou a preocupar autoridades e moradores, com a formação de um “cinturão de invasões” em torno da cidade.

Além do impacto social, a expansão das ocupações também pressiona áreas de preservação ambiental, como Morro Santana, Morro Santo Antônio, Mata Cavalos, Itacolomi e Eta Sul, aumentando o risco de deslizamentos, degradação ambiental e danos a recursos hídricos.

Como resposta, o município implantou ao longo dos anos uma série de medidas. Entre elas, a criação de comitês de gestão territorial e da Comissão de Regularização Fundiária e Edilícia, além do reforço de operações da Guarda Civil Municipal e Ambiental. Em 2025, foi instituída a Secretaria Municipal de Habitação, e programas de melhoria habitacional, como o “Arrumando a Casa”, passaram a ser executados. Também foi anunciado um projeto para a construção de cerca de 200 unidades habitacionais por meio de parcerias.

Foto: ALMG

Apesar dos avanços, a prefeitura tem dificuldades para fiscalizar áreas privadas, o que acaba incentivando novas invasões. Outro obstáculo é a ausência de um levantamento atualizado e consolidado sobre o total de ocupações, informação que chegou a ser solicitada formalmente pela imprensa em agosto de 2025, sem resposta oficial.

A evolução dos números ao longo dos anos revela a complexidade do cenário: enquanto alguns levantamentos apontam residências irregulares, outros consideram famílias sem documentação ou núcleos sob risco iminente de despejo. Especialistas e autoridades concordam que o enfrentamento do problema exige não apenas fiscalização, mas políticas públicas de habitação em escala suficiente para atender milhares de famílias em situação de vulnerabilidade.

A reportagem do Jornal Geraes entrou em contato com a Prefeitura de Mariana para compreender qual tem sido a atuação da Secretaria de Habitação e Zeladoria da cidade diante do crescimento dessas ocupações, mas não obteve resposta até o momento.

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