O órgão Arp Schnitger voltou a ser ouvido na Catedral Basílica da Sé, em Mariana, nesta segunda-feira (8), durante o concerto inaugural que marca o fim do período de silêncio iniciado há quase uma década. A retomada integra o projeto Sons do Sagrado, realizado entre 6 e 19 de dezembro, que celebra os 280 anos da Arquidiocese de Mariana e os 40 anos de ordenação de Dom Airton José dos Santos. O histórico órgão é o eixo central da programação.
O evento contou com apresentação com a organista Josinéia Godinho e duetos de trompete. A agenda do projeto segue até o dia 13 com apresentações diárias, incluindo o Coral Cidade dos Profetas, o Coro dos Sacerdotes de Mariana, a Orquestra Ouro Preto, o Coro da Arquidiocese de Campinas e o Coral Ars Antiqua. No dia 19, o órgão Arp Schnitger volta a ser tocado para o encerramento do ciclo.
Durante a cerimônia, o arcebispo Dom Airton José dos Santos afirmou que a volta do instrumento representa uma etapa importante para a comunidade. “Desde que cheguei a Mariana, ouvia falar do órgão, e muitos perguntavam quando voltaríamos a ter aquele som na catedral. O som não é privilégio de quem está dentro; toda a população de Mariana tem direito a ouvi-lo”, disse. O arcebispo destacou ainda que “esse órgão só existe aqui, em nenhum outro lugar” e que sua manutenção é compromisso da comunidade.
O prefeito de Mariana, Juliano Duarte (PSB), explicou as etapas do processo de restauração, que envolveu envio do órgão Arp Schnitger para Cuenca, na Espanha, além de aprovação de cerca de R$ 1,3 milhão pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (COMPAT). “O órgão foi enviado para Cuenca, onde passou pela restauração, enfrentando etapas de alfândega, transporte e todo um percurso até chegar ao dia de hoje”, afirmou.
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O secretário municipal de Patrimônio Cultural e Turismo, Eduardo Batista, destacou a cooperação institucional como fundamental para a devolução do instrumento à cidade. “A restauração do órgão e sua volta ao uso são frutos de um trabalho coletivo envolvendo o Iphan, o COMPAT, a Arquidiocese e a Prefeitura”, afirmou. Ele também ressaltou a importância simbólica do retorno: “É com emoção que vemos novamente o som do órgão ressoar em Mariana. Este instrumento é parte da nossa herança cultural e espiritual.”
A organista Josinéia Godinho enfatizou o caráter histórico do instrumento, preservado ao longo das décadas. “Em muitos lugares do mundo, órgãos que ficaram silenciosos foram desmontados ou destruídos. Aqui, o instrumento foi preservado. Temos 64% de material do século XVIII, algo raro”, afirmou. Ela agradeceu à comunidade e lembrou nomes envolvidos ao longo de décadas no cuidado com o patrimônio musical. “Esse instrumento é importante afetivamente e musicalmente, mas também reconhecido em todo o mundo graças a quem cuidou dele.”
O projeto Sons do Sagrado segue com atividades abertas ao público até 19 de dezembro, com apresentações na Catedral Basílica da Sé.
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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
