Perseguição política atinge comércio e campanha de Natal em Ouro Branco

Perseguição política atinge comércio e à campanha de Natal em Ouro Branco

Relatos de perseguição política chegaram ao comércio de Ouro Branco e envolveram até uma campanha de Natal voltada para crianças. Entre os episódios estão a circulação de listas de boicote a estabelecimentos comerciais e uma mensagem atribuída a um comércio que teria desistido de participar de uma iniciativa solidária.

Uma das listas compartilhadas nas redes sociais divide os estabelecimentos comerciais de acordo com o posicionamento político atribuído a seus proprietários. A orientação é dar preferência aos comerciantes considerados de direita e deixar de consumir nos negócios associados à esquerda, sob o argumento de que esses estabelecimentos não precisam do dinheiro de consumidores conservadores por conta das políticas sociais do Governo Federal.

Outro episódio envolve uma mensagem de um estabelecimento que teria comunicado sua retirada de uma campanha natalina destinada a crianças. No texto, a pessoa responsável pela manifestação reconhece que as crianças não têm responsabilidade pelas divergências políticas, mas justifica a decisão com críticas ao assistencialismo governamental. A autoria da mensagem ainda não foi confirmada de forma independente.

Os episódios ocorrem após a disputa presidencial no município. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 10.891 votos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 10.187. No segundo turno, Lula reverteu o resultado e venceu com 12.737 votos (51,72%), contra 11.888 (48,28%) de Flávio.

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Entidades repudiam perseguição e boicotes

Diante da circulação de manifestações contra estabelecimentos comerciais por razões ideológicas, a Associação Comercial e Empresarial de Ouro Branco (ACEOB) divulgou uma nota de repúdio. A entidade condenou práticas de discriminação, hostilidade e boicote motivadas por posicionamentos políticos.

A associação também defendeu a liberdade de atuação dos comerciantes e a neutralidade nas relações comerciais, destacando os prejuízos que a perseguição por motivos ideológicos pode causar ao ambiente de negócios do município.

Na quarta-feira (28), a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também se manifestou nacionalmente contra práticas de discriminação e boicote político no setor, além de alertar para possíveis consequências judiciais.

Os episódios levantam uma discussão sobre os limites da divergência política e seus efeitos na convivência social. Em Ouro Branco, os relatos alcançam não apenas as relações entre consumidores e comerciantes, mas também uma iniciativa de solidariedade voltada a crianças.

Fonte: Correio de Minas.

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