Santa Casa de Ouro Preto integra projeto nacional de combate a infecções hospitalares

Santa Casa de Ouro Preto integra projeto nacional de combate a infecções hospitalares

A Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto é um dos 33 hospitais de Minas Gerais selecionados para participar do Projeto Saúde em Nossas Mãos, iniciativa nacional voltada à redução das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

A instituição é a única da microrregião dos Inconfidentes a integrar o programa.

De acordo com o Proadi-SUS, os resultados nacionais da iniciativa já demonstram impacto expressivo. Entre setembro de 2024 e outubro de 2025, o projeto registrou redução de 26% nas infecções hospitalares em UTIs, gerando economia superior a R$ 150 milhões ao SUS.

Em fases anteriores do projeto, mais de 6 mil infecções hospitalares foram evitadas e cerca de 2.200 vidas foram salvas.

Entre os resultados registrados estão:

  • redução de 46% nas infecções primárias da corrente sanguínea associadas a cateter
  • queda de 51% nos casos de pneumonia associada à ventilação mecânica
  • diminuição de 68% nas infecções do trato urinário relacionadas ao uso de cateter

A participação da Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto teve início após indicação do Hospital Moinhos de Vento, uma das instituições coordenadoras do projeto, em reconhecimento ao desempenho das equipes do hospital em iniciativas nacionais de qualificação assistencial, como o Lean nas Emergências.

Segundo os coordenadores do projeto, a instituição já ingressou na iniciativa com uma das menores taxas de infecção entre os hospitais participantes.

O hospital também conta com acompanhamento do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Resultados após implantação do Projeto Saúde em Nossas Mãos

Após a implantação do projeto, a Santa Casa registrou novos resultados.

Houve redução no uso de dispositivos invasivos, com destaque para a queda de 12% na utilização de sonda vesical de demora.

Em 2025, a instituição registrou redução de 50% nas infecções urinárias na UTI. Considerando todas as infecções relacionadas a dispositivos invasivos, também foi observada diminuição aproximada de 10% na densidade global desses eventos.

A implantação do projeto começou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e priorizou a capacitação contínua das equipes multiprofissionais e o monitoramento sistemático de indicadores.

Segundo a coordenadora das UTIs, María Antonia de Quiroz:

“Ao colocar o técnico de enfermagem como protagonista do cuidado, o projeto fortalece a segurança do paciente, valoriza cada etapa da assistência e transforma o profissional em uma barreira essencial na prevenção de infecções.”

Entre as ações desenvolvidas estão o reforço dos protocolos de higiene das mãos, a qualificação do cuidado com dispositivos invasivos, o uso racional de antimicrobianos, a padronização de processos assistenciais e o monitoramento contínuo de indicadores.

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De acordo com Aline Valadares, coordenadora do SCIRAS e do Núcleo de Segurança do Paciente:

“O projeto trouxe ferramentas que qualificaram ainda mais a gestão das infecções hospitalares, permitindo identificar oportunidades de melhoria, monitorar resultados em tempo real e promover ações corretivas de forma ágil.”

Em razão do desempenho das equipes, a Santa Casa foi convidada posteriormente a expandir sua participação para o Bloco Cirúrgico.

Segundo o diretor hospitalar Pedro Ponciano:

“Mais do que protocolos, o projeto fortaleceu uma cultura de segurança, com decisões baseadas em dados e alinhamento multiprofissional.”

O Projeto Saúde em Nossas Mãos

O Projeto Saúde em Nossas Mãos reúne hospitais de excelência, o Ministério da Saúde e o Institute for Healthcare Improvement (IHI).

O objetivo é reduzir em até 50% as infecções hospitalares até dezembro de 2026, por meio da implementação de práticas baseadas em evidências, qualificação das equipes e monitoramento de indicadores.

Segundo o provedor da Santa Casa, Marcelo Oliveira, a participação no projeto reforça o trabalho realizado pela instituição.

“Sermos convidados para integrar essa iniciativa nacional, já apresentando baixos índices de infecção, demonstra a maturidade dos nossos processos e o trabalho consistente das equipes ao longo dos anos.”

A médica infectologista Carolina Ali explica que o projeto é fundamentado na ciência da melhoria, abordagem que utiliza métodos estruturados e ferramentas de qualidade, como o ciclo PDSA (Planejar, Desenvolver, Estudar e Agir).

Atualmente, a Santa Casa registra cinco meses sem casos de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV) e quatro meses sem Infecção do Trato Urinário (ITU).

A meta da instituição é alcançar seis meses sem registros dessas infecções.

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