A exposição “Sonia Gomes – Barroco, mesmo” chegará ao Museu da Inconfidência no próximo sábado (05). O projeto destaca a relação entre a obra da artista mineira Sonia Gomes (Caetanópolis, MG, 1948), e a tradição barroca brasileira, sem deixar de reconhecer nesse legado as marcas do sofrimento imposto pelas violências estruturais de um país com histórico colonial e escravocrata.
Com curadoria do diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada, o projeto tem início com duas exposições quase simultâneas em Ouro Preto e Salvador, cidades fundamentais para o barroco brasileiro e que receberão as primeiras mostras institucionais da artista em Minas Gerais e na Bahia.
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Em Ouro Preto, a exposição ficará disponível até o dia 5 de julho, trazendo 25 esculturas têxteis de diferentes períodos da carreira da artista. Paralelamente à exposição, o visitante pode acompanhar um programa público de encontros, oficinas e vivências, com programação atualizada pelo site e pelas redes sociais do Instituto Tomie Ohtake ao longo do período expositivo.
O projeto parte de uma reflexão sobre o barroco brasileiro como testemunho do trabalho, da técnica e da arte de pessoas africanas e afro-brasileiras, destacando como a obra de Sonia Gomes condensa e ressignifica essa herança no contexto contemporâneo. Acompanhada pelo curador Paulo Miyada, a artista visitou a capital baiana e Ouro Preto, além de outras cidades mineiras, para aprofundar sua pesquisa sobre os territórios e indivíduos influenciados pelo barroco e que são, ao mesmo tempo, protagonistas dessa tradição e herança cultural brasileira.
Segundo o curador, ao se reconhecer como uma herdeira do barroco brasileiro, Sonia Gomes “nos instiga a pensar o barroco como algo mais do que um estilo artístico constituído na Europa e transplantado, com distorções e contradições, a outras geografias… Essa é uma história inacabada – inacabável, até – e Sonia Gomes é uma de suas protagonistas, reivindicando a beleza para assombrar o mundo e desmanchar seus mitos autoritários de pureza, unidade e progresso”, completa.
Paralelamente às inaugurações das exposições, chega às livrarias, pela editora Cobogó, o livro Sonia Gomes – Assombrar o mundo com beleza, organizado por Miyada, que traz uma série de materiais inéditos que aproximam o leitor do sensível processo de criação da artista mineira. Com extensa seleção de obras produzidas nos últimos 15 anos e reproduções de cadernos pessoais e cartas, o livro estará à venda no Museu da Inconfidência durante todo o período expositivo e tem lançamento oficial marcado para o dia 25 de abril, na Casa Iramaia, em São Paulo.
- Programa Público – Ouro Preto
Por ocasião da inauguração da exposição em Ouro Preto, no dia 4 de abril, às 17h, ocorre a mesa de debate Tramas da memória: a presença dos corpos negros no barroco mineiro, com a participação da poeta, ensaísta, acadêmica e dramaturga Leda Maria Martins e do engenheiro ouropretano Eduardo Evangelista, com mediação da professora e arquiteta Ana Paula Silva de Assis. O debate pretende aprofundar a compreensão sobre como a escravidão marcou a arte e a sociedade do período barroco, explorando a representação dos corpos negros nas obras da época e as manifestações culturais afro-brasileiras que persistiram.
Já às 19h ocorre a roda de conversa Conexões contemporâneas: arte, encontro e transformação no Museu da Inconfidência, com a presença da artista Sonia Gomes, do curador Paulo Miyada, do diretor do Museu da Inconfidência Alex Calheiros e da artista mineira Josi.
No dia 5 de abril, data de abertura da exposição, às 14h, acontece a atividade educativa Palavra-semente, com Mariana Per, gerente de educação do Instituto Tomie Ohtake. Indicada para famílias, a oficina propõe um percurso pela memória por meio das palavras. Como sementes, as palavras carregam em si lembranças, perfumes e texturas. Durante o encontro, cada participante escolherá sua palavra-semente e criará uma pequena escultura que represente as memórias evocadas por ela, estabelecendo um diálogo com o trabalho da artista Sonia Gomes.
O evento é uma realização do Instituto Tomie Ohtake em parceria institucional com o Museu da Inconfidência (MG) e com o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia). A exposição tem o patrocínio do Bradesco, sob a chancela “Apresenta”, e do Grupo CCR, por meio do Instituto CCR, sob a chancela “Platina”, via Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet) do Ministério da Cultura.
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Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto e estagiária no Jornal Geraes e na Rádio Real FM.
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