Um encontro público realizado no último sábado (13), em Bento Rodrigues de Origem, marcou a apresentação e entrega da estratégia para a criação de um Centro de Memória físico voltado aos territórios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão. A proposta é resultado de um processo conduzido pela Unesco, em parceria com as prefeituras de Mariana, Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, além da participação direta das comunidades atingidas.
A iniciativa integra as ações de preservação da memória, reparação e fortalecimento do patrimônio cultural e humano das regiões impactadas pelo desastre socioambiental ocorrido em 2015. Durante a atividade, representantes institucionais, lideranças comunitárias e gestores públicos percorreram áreas atingidas e participaram de escutas com moradores, dando continuidade à demanda pela criação do “Museu Território Atingido – do Gualaxo ao Doce”.
O prefeito de Mariana, Juliano Duarte (PSB), destacou que a criação do espaço está prevista como obrigação no processo de repactuação e que os recursos já estão garantidos. Segundo ele, há valores públicos destinados exclusivamente à implantação do museu. “Existe um recurso específico, no valor de R$ 27 milhões, já depositado em conta própria, para a construção do museu, e essa proposta foi construída a partir da escuta das comunidades”, afirmou.
Ainda de acordo com o prefeito, a suspensão histórica de escuta aos atingidos permanece como um dos principais desafios. “Mariana luta por justiça. Os atingidos não foram ouvidos e, mesmo sendo o município mais impactado, recebe menos de 1% do valor total da repactuação”, disse.
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Representante da Comissão de Atingidos de Bento Rodrigues, Mauro Silva ressaltou que o memorial vai além da preservação simbólica e alcança gerações que não puderam retornar ao território. “Esse projeto contempla quem ficou vivo, mas também aqueles que perderam a vida. É uma forma de manter a história presente e de garantir que o território continue sendo vivido”, declarou.
Moradora de Bento Rodrigues, Mônica dos Santos enfatizou o papel da memória como instrumento de reparação. “Memória não é detalhe e não é passado morto. Memória é território e identidade. O museu precisa ser entendido como uma política de reparação e uma ferramenta de justiça”, afirmou.
Durante o encontro, foi assinado um documento de intenção para a implantação do Centro de Memória, com o compromisso de acompanhamento contínuo do processo junto às comunidades atingidas. A proposta prevê que o espaço funcione como local de preservação histórica, reconhecimento das perdas e fortalecimento da identidade dos territórios impactados pelo rompimento da barragem de Fundão.
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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
