HÉLCIO FORTES PRESENTE! IFMG realiza diplomação póstuma de ex-aluno vítima da ditadura militar

HÉLCIO FORTES PRESENTE! IFMG realiza diplomação póstuma de ex-aluno vítima da ditadura militar

O Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) – Campus Ouro Preto realizou, na tarde desta quinta-feira (5), a cerimônia de diplomação póstuma do ex-aluno Hélcio Pereira Fortes, estudante da antiga Escola Técnica Federal de Ouro Preto, morto durante a ditadura militar. O diploma simbólico foi entregue à família em um ato marcado por homenagens, memória e reconhecimento histórico.

A cerimônia foi organizada pelo Grêmio Estudantil do IFMG em parceria com a União Colegial de Minas Gerais (UCMG) e reuniu autoridades, representantes de movimentos estudantis e lideranças políticas. Participaram da mesa o irmão de Hélcio, Délcio Fortes; o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo (PV); a vice-reitora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), professora Roberta Eliana Santos Fróes; a dirigente do PCdoB e ex-deputada federal Jô Moraes; e o poeta e político Pedro Tierra, militante da resistência à ditadura militar.

A cerimônia como um ato de reparação

Segundo os organizadores, a iniciativa representa um gesto de reparação histórica e reconhecimento institucional. O ato também é apontado como a primeira diplomação póstuma secundarista realizada no Brasil.

Durante a cerimônia, o presidente do Grêmio Estudantil do IFMG, Zion Trevisani, destacou o simbolismo do momento e a importância da memória histórica para as novas gerações. “Hélcio foi assassinado para que hoje estivéssemos aqui lotando este auditório em um ato histórico”, afirmou.

Ele também ressaltou o papel dos estudantes na organização da homenage”m: “Esse diploma é uma construção coletiva de estudantes que lutam por memória, verdade e justiça“.

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A ex-deputada federal Jô Moraes, contemporânea da geração de Hélcio, também destacou a importância da iniciativa para manter viva a memória da luta pela democracia. “A juventude do IFMG, ao fazer essa homenagem ao Hélcio, reafirma as bandeiras pelas quais ele lutou: as bandeiras da liberdade, da educação de qualidade e, sobretudo, da democracia, que sempre está ameaçada em nosso país”, disse.

Emocionado, o irmão de Hélcio, Délcio Fortes, relembrou as homenagens recebidas ao longo das últimas décadas e o impacto da memória do ex-aluno para familiares e amigos. “Com a redemocratização do país, Hélcio vem recebendo várias homenagens póstumas. Isso nos leva a crer que ele continua inspirando comportamentos e, acima de tudo, mora dentro dos nossos corações.”

O prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, destacou o significado da cerimônia para a cidade. “É um gesto único de reconhecimento a Hélcio Pereira Fortes, que deu a vida na luta pela democracia brasileira. E esse reconhecimento precisa acontecer aqui, na escola onde ele estudou e na cidade onde nasceu”.

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Quem foi Hélcio Pereira Fortes?

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Hélcio foi estudante de Mineração na antiga Escola Técnica Federal de Ouro Preto e envolveu-se ativamente nas lutas estudantis durante o período de repressão da ditadura militar.

Natural de Ouro Preto, nasceu em 1948 e desde jovem demonstrou interesse pela história política e social do Brasil. Participou de atividades culturais na cidade, como teatro e cinema, e foi um dos fundadores do Cine Clube de Ouro Preto. Também integrou o Grêmio Literário Tristão de Athayde e tornou-se um dos redatores do jornal “A Voz do GLTA”. Posteriormente, participou da fundação do “Jornal de Ouro Preto”.

Hélcio foi capturado em janeiro de 1972 por agentes da repressão. Segundo registros oficiais da época, ele teria morrido após um suposto confronto com a polícia em São Paulo. No entanto, familiares e investigações posteriores apontam que o estudante foi torturado e morto sob custódia do regime militar.

Somente em 1975 seus pais conseguiram exumar os restos mortais do jovem do cemitério de Perus, em São Paulo, e transferi-los para o cemitério da Igreja de São José, em Ouro Preto.

Em 1996, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos reconheceu oficialmente o caso e descartou a versão apresentada pela ditadura militar.

A trajetória de Hélcio também foi registrada no livro “Hélcio”, organizado por seu irmão, Délcio Fortes, lançado em 2017 em Belo Horizonte, reunindo relatos de amigos, familiares e companheiros de militância sobre a vida do jovem ouro-pretano, considerado símbolo da resistência democrática no país.

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