O pré-candidato ao Governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT), criticou a adesão do Estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) durante entrevista à Rádio Real FM. Ao comentar a situação fiscal de Minas, ele afirmou que o discurso de equilíbrio das contas públicas não corresponde à realidade e atribuiu ao programa apenas o efeito de evitar novos atrasos nos pagamentos da dívida.
Segundo Kalil, a divulgação dos resultados do Propag transmite uma percepção equivocada sobre a situação financeira do Estado. “Há uma propaganda enganosa de que está tudo equilibrado, que está tudo tranquilo. Está tranquilo porque nunca mais vai atrasar o pagamento por causa do Propag, como ele foi estruturado”, afirmou.
Na entrevista, o ex-prefeito de Belo Horizonte também questionou a sustentabilidade das contas públicas mineiras. Ele citou uma dívida próxima de R$ 200 bilhões com a União, um déficit anual de R$ 7,6 bilhões e criticou a política de concessão de incentivos fiscais. Para Kalil, a ampliação das isenções tributárias prevista para 2027 tende a agravar o desequilíbrio fiscal do Estado.
O pré-candidato ainda criticou a forma como o programa foi concebido. Segundo ele, o Propag foi apresentado aos estados como um modelo já definido pelo Congresso Nacional, sem que houvesse espaço para uma negociação específica sobre a realidade de Minas Gerais.
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Kalil também associou a condução da política fiscal ao relacionamento institucional entre o governo estadual e o Palácio do Planalto. Sem citar diretamente o ex-governador Romeu Zema (Novo), ele afirmou que ataques ao presidente da República dificultam o diálogo necessário para a construção de soluções para o Estado.
“Quando você chama um presidente da República de vagabundo, de ladrão, de ordinário, de tudo o que você quer, ele não vai te receber para resolver o problema. É simples assim”, declarou.
Ao defender uma mudança na relação entre Minas Gerais e o Governo Federal, Kalil afirmou que o próximo governador deve manter uma postura de respeito institucional, independentemente de quem ocupe a Presidência da República.
“O governador de Minas Gerais vai respeitar o presidente da República, como se deve ser numa democracia, e vai ser respeitado pelo presidente da República, como é numa democracia”, disse.
Instituído pela Lei Complementar nº 212/2025, o Propag permitiu que Minas Gerais deixasse o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e renegociasse uma dívida estimada em cerca de R$ 180 bilhões com a União, com prazo de pagamento de até 30 anos.
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