Acordo destina R$ 100 milhões para climatizar escolas de Mariana e da Bacia do Rio Doce

Acordo destina R$ 100 milhões para climatizar escolas de Mariana e da Bacia do Rio Doce

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assinou nesta segunda-feira (31), em Mariana, um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que destina mais de R$ 100 milhões para instalar ar-condicionado e sistemas de energia solar em escolas da Bacia do Rio Doce. A iniciativa é uma das frentes do acordo de reparação pelos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão.

O Projeto Escolas Resilientes do Rio Doce (PERRIDOCE) prevê a climatização de cerca de 3 mil salas de aula em mais de 600 instituições de ensino municipais. A expectativa é beneficiar 100 mil estudantes e profissionais da educação em 49 cidades atingidas pela tragédia — sendo 38 em Minas Gerais e 11 no Espírito Santo. O programa inclui a instalação de 6,7 megawatts-pico de energia fotovoltaica para evitar que o aumento do consumo de energia sobrecarregue os cofres públicos.

Alexandre Silveira destacou a necessidade de rigor com o dinheiro que compõe os R$ 170 bilhões repactuados recentemente para a região. “A gestão desse recurso tem que ser feita de forma muito criteriosa e adequada para que não aconteça o que aconteceu antes. É aqui, Mariana, nós temos que [fazer] esse recurso chegar até a população de forma efetiva”, afirmou o ministro.

Acordo destina R$ 100 milhões para climatizar escolas de Mariana e da Bacia do Rio Doce
Além de Mariana, o novo acordo assinado pelo ministro Alexandre Silveira vai atingir 48 municípios da Bacia do Rio Doce.

A definição técnica de quantas escolas serão atendidas por cidade seguirá uma tabela do Ministério de Minas e Energia, focando em locais com maiores temperaturas e vulnerabilidade social. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ficará responsável por executar e liberar a verba, com apoio do Consórcio Público para Defesa e Revitalização da Bacia do Rio Doce (Coridoce) na articulação com os prefeitos.

Para o presidente do consórcio e prefeito de Mariana, Juliano Duarte, a assinatura do documento é o passo necessário para destravar a verba federal para os municípios. Ele destacou o impacto prático da medida: “Nós temos estudos que comprovam que, em salas climatizadas, o desempenho escolar e acadêmico do aluno melhora consideravelmente”.

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Impacto na aprendizagem e cobrança dos atingidos

A importância de tornar a sala de aula confortável para os estudantes foi detalhada pela pedagoga da rede municipal Maglaice Batista. Segundo a educadora, manter os alunos focados em temperaturas extremas “é praticamente impossível”. “A escola não é apenas currículo, planejamento e metodologia, ela é também um espaço físico. O calor excessivo provoca desconforto, cansaço, irritabilidade e dificuldade de atenção”, relatou.

O evento também foi marcado por cobranças em relação às medidas compensatórias do desastre. A representante das comunidades atingidas, Mônica dos Santos, criticou o excesso de documentação que impede os recursos de chegarem a quem precisa.

Mônica também fez questão de resgatar a origem da verba milionária: “Esse dinheiro vem de uma história marcada por lama, por dor e por sangue. Ele vem de um território onde pessoas perderam suas vidas. Por isso que esse projeto precisa ir além da sala de aula, precisa ajudar nossas crianças a conhecerem a história do seu território e a entenderem que memória também é uma forma de prevenção”.

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