Municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, que ficaram de fora da repactuação do acordo de reparação podem voltar a discutir a adesão ao pacto. Durante entrevista ao programa Real Entrevista, nesta quarta-feira (12), o ex-prefeito de Mariana e pré-candidato a deputado federal Duarte Júnior afirmou que existem conversas entre as prefeituras para que os municípios assinem a repactuação nos termos atualmente estabelecidos.
Segundo Duarte, há uma convergência entre os municípios para uma possível adesão, mas os prefeitos ainda avaliam as condições e a relação que será estabelecida com as empresas responsáveis pela reparação. “Nós estamos conversando, sim, para que os municípios assinem a repactuação da forma que ela está. Isso é uma realidade, nós estamos conversando. E eu sinto que hoje há uma convergência para que isso possa acontecer”, afirmou.
A possibilidade de retomada da adesão também foi divulgada pelo O Fator, que informou sobre uma reunião realizada na sexta-feira (7), no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), entre prefeitos de municípios que não haviam aderido ao acordo e representantes da Samarco, Vale e BHP Billiton. Conforme a publicação, a maior parte dos prefeitos presentes teria demonstrado interesse em aderir e buscava informações sobre os procedimentos necessários para formalizar a entrada.
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23 municípios ficaram fora do acordo de repactuação
Em 2025, 23 municípios atingidos pelo desastre não aderiram à repactuação e optaram por manter a possibilidade de buscar indenizações por meio de uma ação no Reino Unido. De acordo com O Fator, cerca de 19 dessas cidades demonstrariam atualmente intenção de aderir ao acordo.
A possibilidade de adesão voltou a ser discutida após o Consórcio Público para Defesa e Revitalização do Rio Doce (Coridoce) solicitar ao TRF-6 a reabertura dessa possibilidade. Segundo a publicação, os municípios que aderirem deverão seguir as mesmas regras e valores apresentados durante as negociações realizadas em 2024.
Em contrapartida, as prefeituras que aderirem ao acordo terão de abrir mão de valores que poderiam ser obtidos na ação movida no Reino Unido contra as mineradoras.
Durante a entrevista, Duarte Júnior também destacou que uma eventual adesão não encerra a preocupação dos municípios com a reparação. “O que eu percebo também nos prefeitos é entender se posterior a isso as empresas vão ter o respeito com a bacia do Doce. Se vai construir uma relação de respeito, uma relação de demonstração da importância da bacia do Doce”, afirmou.
O rompimento da barragem de Fundão ocorreu em 5 de novembro de 2015. O desastre matou 19 pessoas, destruiu os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo e provocou impactos em municípios da bacia do Rio Doce.
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