Em declaração apresentada à Justiça inglesa, a diretora de operações e jurídica do escritório Pogust Goodhead, Lynn Wong, acusou o ex-sócio Tom Goodhead de ter destinado a contas próprias cerca de 6,9 milhões de libras esterlinas, o equivalente a R$ 47,1 milhões.
O documento, elaborado em 1º de setembro de 2026 e obtido por O Fator, faz parte de uma disputa entre escritórios sobre a representação dos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, no processo movido na Inglaterra contra a BHP, sócia da Vale na Samarco.
A apuração teria contribuído para o rompimento da relação entre o escritório e Tom. De acordo com a diretora, o Pogust Goodhead preparou uma carta de demissão por “falta grave”, mas o então sócio apresentou sua renúncia um dia antes da entrega do documento.
“Em circunstâncias nas quais havia uma disputa quanto à validade da suposta renúncia do Sr. Goodhead ao cargo de empregado, a Firma, não obstante, enviou uma carta de rescisão em 12 de setembro de 2025, conforme planejado”, afirmou Wong.
Segundo Wong, os valores teriam sido identificados em uma auditoria realizada pela DLA Piper e pela consultoria Alvarez & Marsal.
A investigação teria apontado o uso de recursos antecipados por financiadores para despesas relacionadas ao processo.
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Tom Goodhead nega as acusações. Em nota, ele afirmou que os valores questionados correspondem a uma remuneração acordada por cinco anos de trabalho e aprovada pelos financiadores. O advogado também afirma que o Pogust Goodhead lhe deve 2,7 milhões de libras.
“A conduta do escritório Pogust Goodhead e da sra. Wong foi denunciada à Solicitors Regulation Authority (SRA), órgão responsável pela regulamentação e fiscalização da atuação dos advogados na Inglaterra e no País de Gales. Essa denúncia se soma às investigações e reclamações às quais o escritório já está sujeito perante a SRA, inclusive por violações de confidencialidade. Tom Goodhead instruiu seus advogados a iniciar medidas judiciais na Inglaterra e no Brasil contra o PG e seus dirigentes por difamação, violação de confidencialidade e uso indevido de informações privadas”, diz um trecho da nota de Tom Goodhead.
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Mateus Del’Amore é estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com interesse em jornalismo político e cultural, especialmente na cobertura de cinema e do audiovisual.
