Vale recebe licença ambiental para nova planta em Mariana, com previsão de 3,6 mil trabalhadores nas obras

Vale recebe licença ambiental para nova planta em Mariana, com previsão de 3,6 mil trabalhadores nas obras

A implantação de uma nova unidade de beneficiamento de minério de ferro da Vale em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, poderá mobilizar até 3.858 trabalhadores no período de obras. O projeto recebeu autorização ambiental da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), publicada em 26 de setembro de 2026, e será instalado na Mina Fazendão.

O estudo apresentado pela mineradora estima a contratação de 3.603 funcionários durante a implantação do empreendimento. A demanda por mão de obra poderá variar conforme o andamento dos trabalhos, chegando a 3.786 pessoas no pico da primeira etapa e a 3.858 na segunda.

A empresa informou ao órgão ambiental que pretende dar preferência à contratação de profissionais de Mariana e de municípios vizinhos, como Ouro Preto, Catas Altas, Santa Bárbara e Barão de Cocais. Para isso, estão previstos programas de capacitação e ações voltadas à divulgação das oportunidades nas comunidades próximas.

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Unidade poderá produzir 12,6 milhões de toneladas de concentrado por ano

O projeto prevê uma estrutura com capacidade para processar 21,8 milhões de toneladas de minério de ferro anualmente. Desse volume, a produção poderá chegar a 12,6 milhões de toneladas de pellet feed, produto utilizado na fabricação de aço.

A nova planta foi planejada para beneficiar materiais com menor concentração de ferro, ampliando as possibilidades de aproveitamento dos recursos minerais da Mina Fazendão. Atualmente, a usina existente no local tem capacidade para processar 6 milhões de toneladas por ano.

Depois do beneficiamento, o material será encaminhado pelo Terminal Ferroviário de Fazendão e transportado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas até o Porto de Tubarão, no Espírito Santo.

Operação deverá funcionar durante 24 horas

Quando estiver em funcionamento, a nova estrutura integrará as atividades da Mina Fazendão, que deverá contar com um efetivo estimado de 711 trabalhadores por dia, entre profissionais das áreas administrativas e operacionais.

O funcionamento está previsto para ocorrer de forma contínua, durante todos os dias da semana. A implantação também exigirá uma estrutura de apoio para o tratamento dos rejeitos e o controle dos impactos da atividade mineral.

Licenciamento prevê intervenções em área de preservação

A construção da nova unidade terá reflexos sobre uma área de 89,42 hectares no entorno da Mina Fazendão. O planejamento apresentado pela Vale inclui intervenções em 6,40 hectares de áreas de preservação permanente, embora não esteja prevista a supressão de vegetação nativa nesses locais. Também está autorizado o corte ou aproveitamento de 340 árvores nativas isoladas.

O estudo ambiental apontou ainda a presença de espécies da flora ameaçadas de extinção ou protegidas por normas específicas. Para compensar parte dos impactos, a mineradora propôs recuperar uma área degradada de 4,92 hectares na Fazenda Fidalgo e destinar ao poder público um terreno de 1,48 hectare localizado no Parque Nacional da Serra do Gandarela.

As mudanças previstas não se restringem à vegetação. Para adaptar a infraestrutura da mina e melhorar o escoamento das águas, o projeto contempla a canalização de cerca de 700 metros do córrego São Luís. Segundo a documentação analisada, a medida busca diminuir a possibilidade de alagamentos nas instalações próximas à ferrovia.

O licenciamento também considerou três cavidades naturais subterrâneas identificadas na região. Uma delas, chamada BR_0026, apresenta danos registrados no parecer técnico. A avaliação desse caso, no entanto, ocorre em um procedimento específico, independente do processo de licenciamento da nova planta.

Projeto prevê reaproveitamento de água e controle de emissões

A estimativa de consumo da unidade é de 876 metros cúbicos de água bruta por hora. A taxa de recirculação prevista é de 97,6%, e o abastecimento deverá utilizar fontes já autorizadas nas minas Fazendão e Alegria.

Entre as estruturas de controle ambiental estão sistemas de filtragem, tratamento de esgoto e medidas para reduzir a dispersão de poeira e as emissões atmosféricas. O projeto também contempla o empilhamento de rejeitos.

A análise da Feam considerou possíveis efeitos da implantação sobre a fauna, os recursos hídricos, o tráfego e as comunidades próximas. Para esses aspectos, foram previstos programas de acompanhamento e medidas de mitigação.

Licença reúne etapas de instalação e operação

O empreendimento foi analisado no processo de licenciamento ambiental nº 34164/2025, enquadrado na categoria 6, destinada a atividades de maior porte ou potencial de impacto ambiental.

A autorização foi concedida na modalidade Licenciamento Ambiental Concomitante (LAC 1), que reúne as etapas de licença prévia, de instalação e de operação, conforme as condições estabelecidas pelo órgão ambiental.

A Mina Fazendão tem uma trajetória de exploração mineral que começou em 1963. A Vale assumiu as atividades no local em 1991.

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