Acadêmicos de São Cristóvão leva Francisca Mina ao centro do Carnaval 2026

No Carnaval de 2026, a Escola de Samba Acadêmicos de São Cristóvão vai levar para a Praça Tiradentes, em Ouro Preto, o enredo “Eu Sou a Revolução”, que resgata a trajetória de Francisca Mina, personagem central da Revolta de Vila Rica, em 1720. A proposta é revisitar o século XVIII, no auge do ciclo do ouro, para apresentar ao público uma leitura histórica que valoriza o protagonismo feminino e negro em um dos principais movimentos de contestação ao domínio colonial português.

Francisca Mina nasceu na Costa da Mina, região da África Ocidental, foi sequestrada, escravizada e trazida à força para o Brasil. Em Vila Rica, atual Ouro Preto, tornou-se uma liderança decisiva na articulação popular contra a cobrança do Quinto, imposto que simbolizava a exploração econômica da Coroa Portuguesa sobre a população local. Ao lado de Felipe dos Santos, participou diretamente da organização da revolta que mobilizou moradores, comerciantes, trabalhadores e parte da tropa contra os abusos fiscais.

O enredo “Eu Sou a Revolução” propõe ir além da narrativa tradicional sobre o movimento de 1720. A Acadêmicos de São Cristóvão coloca Francisca Mina no centro da história, destacando sua atuação política, capacidade de articulação e papel na mobilização coletiva. Mulher negra e escravizada, submetida a diferentes formas de opressão, ela aparece como símbolo de resistência e liderança em um contexto marcado pela violência institucional e pela desigualdade.

A escola trabalha a figura de Francisca Mina como representação de um projeto coletivo de liberdade. Sua trajetória é apresentada como resultado da união entre diferentes grupos sociais, que encontraram no enfrentamento à exploração uma causa comum. Ao resgatar esse percurso, o desfile pretende ampliar o debate sobre a participação de mulheres negras nos processos históricos e questionar ausências recorrentes na historiografia oficial.

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O enredo também estabelece pontes entre passado e presente. A história de Francisca Mina é conectada a outras lideranças femininas ligadas à formação social e cultural de Ouro Preto, como Efigênia Carabina, Sidnéa Santos e Maria Agripina Neves, além de tantas mulheres que seguem atuando em movimentos comunitários, culturais e políticos. A proposta é mostrar como a resistência construída no século XVIII permanece viva nas lutas contemporâneas.
O enredo também estabelece pontes entre passado e presente. A história de Francisca Mina é conectada a outras lideranças femininas ligadas à formação social e cultural de Ouro Preto, como Efigênia Carabina, Sidnéa Santos e Maria Agripina Neves, além de tantas mulheres que seguem atuando em movimentos comunitários, culturais e políticos. A proposta é mostrar como a resistência construída no século XVIII permanece viva nas lutas contemporâneas.

Em 2026, a Praça Tiradentes recebe um desfile que transforma a história de Francisca Mina em eixo central da apresentação, trazendo à avenida uma leitura crítica sobre liberdade, opressão e protagonismo popular na formação de Ouro Preto.

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