Ouro Preto celebra 20 anos da mudança de bandeira racista

Ouro Preto celebra 20 anos da mudança de bandeira racista

Ouro Preto realizou, nesta quinta-feira (27), o evento “Ouro Negro, Memória Viva”, que marcou os 20 anos da mudança do lema de cunho racista estampado na bandeira do município. A celebração reuniu representantes da Prefeitura, da Câmara Municipal, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e movimentos ligados à pauta racial, destacando o impacto histórico da substituição do antigo lema. O encontro reafirmou o compromisso institucional e comunitário com memória, reparação e igualdade racial em torno da discussão sobre a bandeira racista ouro preto.

A alteração do lema ocorreu em 2005, quando o município substituiu a expressão latina “Proetiosum tamen nigrum” (“Precioso, ainda que negro”) por “Proetiosum aurum nigrum” (“Precioso ouro negro”), reconhecendo as raízes negras na formação da cidade. Duas décadas depois, o evento retomou a importância do processo, especialmente para a população que, desde então, se mobiliza em torno da valorização da identidade negra em Ouro Preto. A discussão sobre a bandeira racista ouro preto permeou as falas e recordações apresentadas durante a solenidade.

O diretor de Igualdade Racial da Prefeitura, Kédison Guimarães, destacou o caráter simbólico da data e a mobilização popular que levou à mudança. Segundo ele, “a troca não foi só estética, mas uma questão de luta, de promoção de equidade racial e de busca por direitos de reparação”.

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Representando a Comissão da Igualdade Racial da OAB, Pedro Alexandre ressaltou a relevância da participação institucional no debate. Ele afirmou que “celebrar esse marco é lembrar que lutar por causas sociais vai ao encontro dos menos favorecidos, e a população negra continua sendo a mais prejudicada em vários contextos”.

O vereador Alex Brito (PDT), homem negro e presidente da Câmara durante o evento, destacou o simbolismo de ocupar o cargo em uma data vinculada à história racial do município. Em sua fala, afirmou que “muda-se uma palavra, mas no final muda-se a história toda”, ao relembrar o impacto da alteração do lema da bandeira racista ouro preto.

O prefeito Angelo Oswaldo (PV) recuperou o contexto da cerimônia realizada em 2005, ressaltando como a repercussão nacional reforçou a importância da mudança. Ele lembrou que a antiga bandeira chegou a ser manchete da imprensa, afirmando que “foi realmente um marco” e que a transformação enfrentou resistência, porque “esses preconceitos não são fósseis; são conceitos enraizados na consciência de muita gente”.

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