Nesta terça-feira (3), o vereador Renato Zoroastro apresentou um requerimento na Câmara Municipal de Ouro Preto em que questiona a escolha do plano inclinado pela Prefeitura para receber cerca de R$ 20 milhões da Samarco. O equipamento deve ligar a Praça da Estação ao campus Morro do Cruzeiro, e o vereador pede os critérios usados na decisão e a cópia do acordo firmado entre o município e a mineradora.
O plano inclinado é um modelo de “bondinho” que circula sobre trilhos instalados em terrenos muito íngremes, diferente dos bondinhos suspensos por cabos. A referência usada pela Prefeitura é o Plano Inclinado Gonçalves, em Salvador, que liga partes da cidade em diferentes alturas. Em Ouro Preto, o trajeto previsto começa na Praça da Estação, passa pela lateral da Vila Aparecida, tem uma parada perto da Casa dos Inconfidentes e termina na região do campus Morro do Cruzeiro, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
O vereador fez questão de começar reconhecendo o valor da obra para quem vive no entorno.
“Eu reconheço a importância dessa obra para os moradores do bairro Vila Aparecida e também para a mobilidade urbana. É uma demanda legítima e que merece todo o respeito. Meu questionamento é em relação a como Ouro Preto está definindo as suas prioridades, os seus investimentos, como está utilizando os recursos que chegam até a Prefeitura. O que é prioridade? Onde investir?”, questionou.
Renato Zoroastro lembrou que o dinheiro vem carimbado e não pode ser usado para pagar dívidas. Mas, como a destinação é combinada entre a mineradora e o município, ele quer entender quem decidiu e com base em quê.
“Por mais que os recursos sejam da empresa Samarco, a gente precisa saber quais foram as condições e as intenções do acordo, quem definiu a sua destinação e quais as responsabilidades futuras que ficarão. Vai ser uma estrutura que vai ter despesa posteriormente. Foi colocado isso na ponta do lápis? O município vai dar conta de fazer o empreendimento funcionar?”, perguntou.

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O que o requerimento pede?
No Requerimento 468/2026, o vereador pede à Prefeitura uma cópia completa do acordo com a Samarco e quer saber quanto o município deve receber ao todo, quanto já entrou nos cofres públicos e para onde vai cada parte do dinheiro. Ele também solicita os estudos que levaram à escolha do plano inclinado e pergunta se outras necessidades, como educação, saúde e infraestrutura, foram avaliadas antes da decisão.
O documento ainda questiona quais secretarias e conselhos participaram da definição das prioridades e se existe um estudo de viabilidade que indique quantas pessoas devem usar o equipamento e quanto vai custar mantê-lo funcionando todos os anos.
O valor faz parte de um acordo que prevê R$ 80 milhões em investimentos da Samarco em Ouro Preto. O projeto do plano inclinado ainda depende de aprovação do Iphan e não tem data para o início das obras.
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