Na madrugada deste Sábado de Aleluia, as ruas do Centro Histórico de Mariana voltam a ser tomadas por uma das manifestações mais marcantes do calendário cultural e religioso da cidade: a Procissão das Almas. O cortejo acontece na virada da Sexta-feira Santa, pontualmente à 00h05, reunindo moradores e visitantes em uma experiência que mistura devoção, folclore e memória.
Vestidos com túnicas brancas e com os rostos cobertos, os participantes percorrem as vias históricas carregando velas acesas, ao som de marcha fúnebre, matracas, correntes e cânticos que ecoam pela madrugada. O cenário, marcado por silêncio e simbolismo, cria uma atmosfera única que atravessa gerações e segue mobilizando o público ano após ano.
O cortejo tem início na Igreja da Confraria, na Rua Dom Silvério, e segue pelas ruas do centro, acompanhado por uma multidão que observa e participa da tradição. A manifestação, que remonta ao século XIX, é organizada há 38 anos pelo Movimento Renovador de Mariana e pela Casa de Cultura e Academia Marianense de Letras, responsáveis por manter viva a celebração.


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Tradição centenária da Procissão das Almas em Mariana
A tradição tem como base duas lendas populares do município: “Maricota de Todos os Santos” e “Balaio de Penas”, que ajudam a compor o imaginário da procissão. Durante o cortejo, elementos dessas histórias são representados simbolicamente, como a presença de uma figura que carrega um balaio de penas e as espalha pelas ruas, reforçando o caráter folclórico da manifestação.
A criação da procissão, nos moldes atuais, está ligada à atuação do jornalista Waldemar de Moura Santos, que, em 1967, registrou e difundiu as histórias que inspiram o cortejo. Desde então, a celebração se consolidou como um dos principais patrimônios culturais imateriais de Mariana.
Além do aspecto religioso, a Procissão das Almas também carrega um forte valor histórico e cultural, sendo considerada uma das mais impactantes manifestações do período da Semana Santa em Mariana. A cada ano, o evento reafirma a identidade marianense, reunindo tradição, memória coletiva e participação popular em um cenário que transforma a cidade durante a madrugada.


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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
