Um projeto da cidade de Mariana recebeu um prêmio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A iniciativa busca reeducar homens autores de violência contra a mulher. O trabalho conquistou o terceiro lugar na edição 2026 do Prêmio CNJ Juíza Viviane Vieira do Amaral.
A ação é desenvolvida pelo Laboratório de Linguagens Afetivas (Lalia). O grupo atua em parceria com a Comarca de Mariana do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O projeto atende homens do sistema prisional que cumprem medida protetiva da Lei Maria da Penha.
No primeiro semestre de 2026, 25 homens participaram de 22 encontros. Eles frequentaram círculos de diálogo e de Justiça Restaurativa no Fórum Doutor Armando Pinto Monteiro. O grupo também fez oficinas de argila e escrita na Casa de Cultura de Mariana.
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Mudança de comportamento
A coordenadora do projeto, Andreia Donadon Leal, explicou a proposta. Segundo ela, as atividades ajudam os participantes a reconhecer os próprios erros. “Quando o homem volta para si, nesse momento de escrita terapêutica, aprende a se ler e a registrar o que se passa com ele”, afirmou a professora.
A juíza diretora do Fórum de Mariana, Fernanda Mascarenhas, supervisiona as atividades. Ela destacou que a cidade já possui políticas públicas para as vítimas. No entanto, faltavam ações focadas na mudança de atitude dos agressores.
“Os encontros viabilizaram a criação de um espaço seguro de reeducação. Isso ajudou os homens a acessarem e a expressarem sentimentos reprimidos por uma educação machista”, pontuou a magistrada.
A equipe do projeto tem cinco mediadores. O grupo inclui advogados, psicólogos e professores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). O trabalho foi financiado com recursos de penas pecuniárias (valores pagos por condenados na Justiça).
A entrega do prêmio ocorre no dia 23 de outubro. A honraria nacional leva o nome da juíza Viviane Vieira do Amaral. Ela foi vítima de feminicídio no ano de 2020, no estado do Rio de Janeiro.
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