Indígenas Tupinikim formalizam rejeição ao Novo Acordo do Rio Doce

Indígenas Tupinikim formalizam rejeição ao Novo Acordo do Rio Doce

As comunidades Tupinikim de Aracruz, no norte do Espírito Santo, decidiram não aderir aos termos do Anexo 3 do Novo Acordo do Rio Doce (Nard), documento que repactua o Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) firmado após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

A posição foi definida em assembleias realizadas nas aldeias de Irajá, Pau Brasil e Caieiras Velha. Segundo as lideranças, um ofício será encaminhado às instituições de Justiça comunicando oficialmente a recusa. A medida busca pressionar pela reabertura de diálogo direto com as empresas responsáveis pelo desastre — a Samarco, controlada por Vale e BHP.

O acordo original reconheceu os povos Tupinikim e Guarani como atingidos e estabeleceu programas de compensação e recuperação, executados pela Fundação Renova. Entretanto, representantes indígenas afirmam que, desde o início, houve falhas na consulta prévia às comunidades, conforme previsto na Convenção 169 da OIT.

Na avaliação das lideranças, o novo texto mantém problemas estruturais, como centralização das decisões, limitação da participação direta dos atingidos e definição de regras que podem restringir reivindicações futuras. Também há críticas quanto à abrangência do reconhecimento de todos os impactados.

O Anexo 3 trata especificamente de medidas voltadas a povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. O documento prevê que a execução das ações deve considerar especificidades culturais e garantir o direito à consulta. Ainda assim, segundo os Tupinikim, esse processo não ocorreu de maneira plena durante a repactuação.

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O eixo financeiro do anexo prevê recursos bilionários para esses grupos, incluindo valores destinados aos povos Tupinikim e Guarani. Contudo, o acesso aos montantes estaria condicionado à definição de modelo de autogestão e à aceitação integral das cláusulas, que incluem quitação ampla às empresas e à fundação responsável pela execução das medidas.

Para as comunidades, aceitar os termos sem ajustes poderia significar encerrar disputas e limitar questionamentos futuros sobre danos culturais, territoriais e espirituais ainda não reparados.

Paralelamente ao debate jurídico, segue a mobilização indígena em áreas próximas à Estrada de Ferro Vitória a Minas, que corta território tradicional e é operada pela Vale. O protesto já resultou em bloqueios da linha férrea, decisões judiciais e operações de desocupação.

Outra preocupação é a situação do Rio Comboios, afetado pela chegada de rejeitos após o rompimento da barragem. Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo devem realizar estudos para avaliar possíveis impactos ambientais e à saúde das comunidades que vivem às margens do curso d’água.

Ao rejeitar formalmente o Novo Acordo do Rio Doce, os Tupinikim afirmam buscar uma reparação construída com participação efetiva das comunidades atingidas e defendem a retomada de negociações diretas com as empresas envolvidas no desastre.

Fonte: Século Diário

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