O prefeito de Mariana, Juliano Duarte (PSB), tomou posse nesta quinta-feira (5) como presidente do Consórcio Público de Defesa e Revitalização do Rio Doce (CORIDOCE). A cerimônia foi realizada no Centro de Convenções de Mariana, durante a Assembleia Geral do consórcio, que reuniu lideranças políticas e representantes de diversos municípios da Bacia do Rio Doce.
O encontro contou com a participação de prefeitos, gestores públicos, representantes institucionais e lideranças regionais de cidades impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015. O consórcio reúne municípios atingidos pelo desastre e atua na articulação conjunta das cidades em temas como reparação, recuperação ambiental e políticas públicas para a região.
Durante a assembleia, foi reforçada a importância da união entre os municípios para fortalecer a atuação regional e ampliar o diálogo sobre ações voltadas à recuperação da Bacia do Rio Doce e à defesa dos direitos das populações afetadas.
Compromisso com atuação conjunta
Ao assumir a presidência do consórcio, Juliano Duarte destacou a responsabilidade de representar os municípios atingidos e afirmou que pretende conduzir uma gestão baseada no diálogo entre as cidades. “Assumir a presidência do CORIDOCE é uma grande responsabilidade. Nosso compromisso é trabalhar de forma integrada com todos os municípios da bacia do Rio Doce, fortalecendo políticas de recuperação ambiental e defesa dos direitos das populações”, afirmou.
A eleição para a presidência do consórcio ocorreu com chapa única e apoio unânime dos prefeitos que integram o colegiado.
Cobrança por mais rapidez na reparação
Juliano Duarte também afirmou que a nova gestão do consórcio terá uma atuação propositiva, mas com cobrança por mais agilidade na execução das medidas de reparação pelo rompimento da Barragem de Fundão.
De acordo com ele, o acordo relacionado ao desastre envolve recursos bilionários e deve priorizar diretamente os municípios atingidos. “Nós teremos pautas propositivas junto ao Governo do Estado e junto ao Governo Federal, porque é um acordo bilionário. A gente vai defender que esse recurso seja utilizado na bacia do Rio Doce, atendendo o interesse das cidades atingidas”, afirmou.
O prefeito também criticou a possibilidade de utilização de recursos do acordo em outras regiões. “Temos percebido que recursos do acordo estão sendo utilizados em outras esferas. Não que sejamos contra, mas a prioridade deve ser para quem sofreu o desastre do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana”, declarou.
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Defesa dos municípios nas negociações
Outro ponto destacado pelo presidente do CORIDOCE é a defesa coletiva dos municípios nas negociações relacionadas aos acordos de reparação. Segundo ele, atualmente 23 cidades ainda não assinaram o acordo e o consórcio deve atuar para garantir que as decisões considerem os interesses de todas elas.
“O Coridoce reúne vários prefeitos, então a gente vai defender um interesse coletivo, não somente o interesse do município de Mariana”, afirmou.
Juliano Duarte também disse que Mariana não pretende tomar decisões isoladas enquanto outros municípios ainda estiverem em negociação: “Mariana não vai assinar se os outros municípios também não estiverem junto conosco nesse litígio que existe até hoje”.
Saneamento e saúde na pauta do consórcio
Entre os temas que devem ganhar destaque na gestão do novo presidente do CORIDOCE estão as políticas de saneamento básico e saúde nos municípios atingidos.
Juliano Duarte afirmou que o governo de Minas recebeu recursos significativos para projetos de saneamento e que as propostas serão analisadas pelos prefeitos. “O Governo do Estado de Minas Gerais recebeu um grande valor para o saneamento básico, cerca de R$ 7,5 bilhões. Está sendo construída uma modelagem que será apresentada aos prefeitos. Então a gente vai avaliar com muita cautela e responsabilidade”, disse.
O prefeito destacou que o saneamento é essencial, mas que os municípios também precisam avaliar os impactos financeiros para a população: “O saneamento básico é caro. Para acontecer, precisa de muito recurso público investido“.
Além disso, o consórcio também pretende discutir com o governo federal a antecipação de recursos da saúde para atender a demanda crescente nas cidades atingidas.
“Estamos pedindo uma antecipação dos recursos da saúde para os municípios, já que a demanda cresce cada vez mais. Todos os prefeitos têm filas reprimidas de exames e cirurgias”, declarou.
A expectativa, segundo o novo presidente do CORIDOCE, é que o consórcio fortaleça a articulação entre os municípios da Bacia do Rio Doce e avance nas negociações para garantir reparação e investimentos nas cidades afetadas pelo desastre.
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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
