Confronto policial marca protesto por moradia em Mariana

Confronto policial marca protesto por moradia em Mariana

Um protesto realizado na manhã desta terça-feira (10) terminou em confronto entre manifestantes e a Polícia Municipal em Mariana. A ação ocorreu na rodovia MG-129, na altura do bairro São Cristóvão, onde moradores bloquearam a via para protestar contra a demolição de barracos em uma área de ocupação. A dispersão do grupo envolveu o uso de spray de pimenta e balas de borracha por parte dos agentes.

O bloqueio começou por volta das 4h30, quando manifestantes colocaram entulhos na pista com o objetivo de interromper o trânsito de veículos, especialmente os ligados às atividades mineradoras. De acordo com relatos de moradores, a mobilização foi organizada após uma operação realizada na tarde de segunda-feira (9), quando seis estruturas improvisadas foram demolidas na ocupação.

Por volta das 8h30, equipes da Polícia Municipal, acompanhadas pelo secretário de Segurança Pública de Mariana, Ramon Leonardo Magalhães, avançaram para liberar a rodovia. Durante a ação, houve tumulto e os agentes utilizaram armamentos de menor potencial ofensivo para dispersar os manifestantes. O trânsito foi normalizado somente por volta das 9h45. Também foram registradas retenções em outros pontos da região, como no trevo do Novo Bento e em Antônio Pereira.

Segundo moradores da ocupação, a operação de segunda-feira foi marcada por tensão e ocorreu sem aviso prévio. Viaturas da Polícia Municipal, incluindo agentes da Ronda Ostensiva Municipal (Romu), acompanharam uma retroescavadeira utilizada para derrubar seis barracos construídos no local.

Um dos moradores afetados, Gabriel William de Lana, afirmou que estava dentro da casa quando a estrutura começou a ser destruída. Ele contou que precisou sair rapidamente do barraco para evitar ser atingido pelos escombros. No imóvel, segundo ele, ficaram móveis e documentos pessoais. Gabriel disse que vivia no local havia cerca de cinco meses após passar por situação de rua.

Outro caso citado pelos moradores envolve um casal de idosos, Juventina Gomes, de 80 anos, e José Cícero, de 82. Eles haviam reunido materiais de construção para erguer uma moradia próxima a serviços de saúde. Segundo familiares, portas, janelas e caixas d’água adquiridas com ajuda dos filhos foram destruídas durante a operação.

Para o presidente da associação do bairro São Cristóvão, Thiago Henrique, a revolta que levou ao protesto está relacionada ao que ele considera falta de alternativas habitacionais para famílias de baixa renda. Ele afirmou que moradores se sentiram desamparados após a retirada das estruturas.

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Prefeitura justifica ação e anuncia medidas

A Prefeitura de Mariana afirma que a intervenção foi necessária porque a ocupação estava localizada em uma Área de Preservação Permanente (APP), sujeita a risco de inundação. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito Juliano Duarte apareceu ao lado do secretário de Segurança Pública defendendo a operação.

Segundo o prefeito, o terreno pertence ao município e está reservado para dois projetos públicos: a construção de um Hospital Universitário e unidades habitacionais vinculadas ao programa Minha Casa, Minha Vida. Duarte também afirmou que há indícios de comercialização irregular de lotes públicos no local, com valores que chegariam a R$ 13 mil.

O chefe do Executivo municipal declarou ainda que pretende adotar medidas judiciais contra responsáveis pelo bloqueio da rodovia, argumentando que a interdição da via prejudicou o trânsito e serviços na região.

Após o confronto da manhã, novas demolições foram relatadas na região durante a tarde desta terça-feira. A situação ainda está em desenvolvimento e continua sendo acompanhada pelas autoridades e pela comunidade local.

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