Moradores de Lavras Novas, Chapada, Santo Antônio do Salto e outras localidades participaram, na noite da última segunda-feira (15), de uma reunião pública para discutir o Projeto Tesoureiro, empreendimento minerário da Rio Manso Mineração Ltda. previsto para a região de amortecimento do Parque Estadual do Itacolomi.
O encontro reuniu mais de 100 pessoas, entre moradores, lideranças comunitárias, representantes de movimentos sociais, pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e membros de entidades ambientais. Também participaram o vereador Mateus Pacheco e o secretário municipal de Meio Ambiente de Ouro Preto, Chiquinho de Assis.
Durante a reunião, pesquisadores do Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Conflitos em Territórios Atingidos (CONTERRA/UFOP) apresentaram análises sobre o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do empreendimento. Segundo os pesquisadores, o projeto está localizado próximo ao Parque Estadual do Itacolomi e a áreas consideradas de relevância histórica, cultural e ambiental.
De acordo com a apresentação, o estudo ambiental apresenta pontos que, na avaliação do grupo, necessitam de aprofundamento, incluindo aspectos relacionados a comunidades da região, recursos hídricos, patrimônio arqueológico, biodiversidade, impactos socioeconômicos e possíveis reflexos para a população do entorno.



Os participantes também discutiram a localização do empreendimento em relação a comunidades e áreas turísticas da região. Entre as preocupações manifestadas por moradores e entidades estiveram possíveis impactos sobre recursos hídricos, turismo, mobilidade e qualidade de vida.
A presidente da Associação de Proteção Ambiental de Ouro Preto (APAOP), Marilda Costa, alertou para os impactos irreversíveis que o empreendimento poderá causar aos recursos hídricos da região. “Essa luta é para preservar as nossas vidas e as das futuras gerações”, afirmou. Membro do Conselho Consultivo do Parque do Itacolomi, Du Evangelista ressaltou a necessidade de proteger as áreas de recarga dos aquíferos na revisão do Plano Diretor e criticou a demora na atualização da legislação do uso e ocupação do solo.
Durante a reunião, moradores também demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre o turismo, principal atividade econômica de Lavras Novas e de outras localidades do entorno do Itacolomi, além dos reflexos para a qualidade de vida das comunidades, a saúde da população e para a preservação do patrimônio paisagístico da região.
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Prefeitura apresenta posição sobre o processo
Representando a Prefeitura de Ouro Preto, o secretário municipal de Meio Ambiente, Chiquinho de Assis, informou que o município negou, em agosto de 2025, a certidão de regularidade do empreendimento com base em decreto municipal que restringe o tráfego de veículos pesados na região de Saramenha.
Segundo o secretário, o Conselho Consultivo do Parque Estadual do Itacolomi também emitiu parecer contrário ao projeto em razão de sua localização na zona de amortecimento da unidade de conservação. Apesar disso, o processo continua em tramitação na esfera estadual.
Durante a reunião, Chiquinho afirmou ainda que a ampliação da área protegida do Parque Estadual do Itacolomi será defendida pelo município durante audiência pública que será realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A manifestação do secretário foi acompanhada por questionamentos de moradores, que cobraram maior divulgação das informações sobre o andamento do processo de licenciamento. Entre os pontos levantados pelos participantes esteve o entendimento de que as comunidades deveriam ter sido informadas de forma mais ampla sobre as etapas do processo.
Também foram mencionadas discussões relacionadas a possíveis alternativas para o transporte de minério, incluindo a hipótese de implantação de novas rotas na região de Saramenha.
Audiência pública na ALMG
Ao final da reunião, representantes do Movimento Salve o Itacolomi anunciaram mobilização para a audiência pública que será realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, no próximo dia 29 de junho.
A expectativa dos organizadores é reunir moradores, pesquisadores, entidades ambientais, representantes do poder público e demais interessados para debater os possíveis impactos do Projeto Tesoureiro e o andamento do processo de licenciamento ambiental.
Fonte: Assessoria de Comunicação do “Movimento Salve o Itacolomi”
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