CineOP abre 21ª edição com homenagem à cineasta Helena Solberg

A 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto foi aberta na noite da última quinta-feira (25), na Praça Tiradentes, reunindo autoridades, profissionais do audiovisual, moradores e visitantes para o início de mais uma edição do evento, que segue até o dia 30 de junho com programação gratuita em diferentes espaços da cidade.

Reconhecida por colocar em pauta a preservação da memória audiovisual brasileira, a CineOP chega à 21ª edição mantendo a proposta de promover debates, exibições, formação e intercâmbio em torno do cinema como patrimônio cultural.

Durante a abertura, o prefeito Angelo Oswaldo destacou a relação histórica entre Ouro Preto e o audiovisual e relembrou a criação da mostra.

“Ouro Preto é uma cidade cinematográfica. Todo mundo vem fotografar, filmar e registrar Ouro Preto no audiovisual. Era natural que a cidade tivesse também um grande evento cinematográfico. Há 21 anos, convidamos a Universo Produção, Raquel Hallak e Quintino Martins para criar esse festival voltado à preservação da memória do cinema. Hoje, a CineOP tornou-se uma referência internacional na discussão sobre a conservação dos acervos audiovisuais e reforça a importância de políticas de preservação da nossa memória cinematográfica”, afirmou.

A edição deste ano homenageia a cineasta Helena Solberg, considerada uma das pioneiras do cinema dirigido por mulheres no Brasil e referência do cinema feminista latino-americano. Emocionada, ela agradeceu a homenagem e relembrou sua ligação com Minas Gerais.

“É um privilégio receber esta homenagem nesta cidade maravilhosa. Agradeço imensamente ao festival, à Raquel e ao Quintino por esta oportunidade. É muito bom estar de volta e poder rever, nesta noite, os dois filmes que marcaram o início da minha carreira, realizados há cerca de 60 anos, no começo da ditadura militar. São obras que nasceram em um período difícil, mas que continuam dialogando com o presente”, disse.

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Em seu discurso de abertura, a coordenadora-geral da CineOP, Raquel Hallak, ressaltou o papel da preservação audiovisual na construção da memória coletiva.

“As imagens não são apenas registros do passado. São territórios de disputa no presente. Preservar é um gesto político, lembrar é um ato de resistência e projetar imagens é também projetar futuros. Um país existe nas histórias que conta, nas imagens que cria e, sobretudo, nas imagens que decide preservar”, destacou.

Além de reunir profissionais do audiovisual, a CineOP também atrai pesquisadores e especialistas de diferentes áreas ligadas à preservação da memória. Pela primeira vez na mostra, a bibliotecária da Câmara dos Deputados, em Brasília, Christiane Coelho da Rocha, contou que conheceu o evento durante uma visita a Ouro Preto e destacou a importância do tema abordado pela programação.

“Foi uma grata surpresa, porque vim visitar a cidade e me deparei com esse evento maravilhoso. Trabalho com obras raras em Brasília e o discurso de abertura me tocou bastante ao destacar o papel da preservação. Embora o foco seja o audiovisual, essa discussão também se aplica aos documentos históricos, arquivos, filmes e a todo esse conjunto que compõe a nossa memória. Preservar esse patrimônio nos ajuda a compreender melhor o presente e a construir um futuro melhor. Quando preservamos a memória, ela não fica morta nem apagada”, afirmou.

Criada em 2006, a CineOP foi a primeira mostra de cinema do Brasil dedicada à preservação, história e educação audiovisual. Ao longo de mais de duas décadas, consolidou-se como espaço de reflexão sobre a salvaguarda do patrimônio cinematográfico brasileiro, reunindo pesquisadores, restauradores, cineastas, estudantes e instituições ligadas ao setor.

A programação da 21ª edição reúne 135 filmes produzidos em 18 estados brasileiros e seis países, além de debates, oficinas, homenagens, apresentações musicais e atividades culturais gratuitas distribuídas entre o Centro de Artes e Convenções da UFOP, a Praça Tiradentes e o Museu da Inconfidência.

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