A Samarco anunciou um plano de investimentos de R$ 13,8 bilhões para os próximos anos, com a meta de restabelecer 100% de sua capacidade produtiva instalada até 2028. O aporte financeiro será direcionado às duas principais estruturas da mineradora: o complexo de Germano, localizado em Mariana, e a unidade de Ubu, em Anchieta (ES).
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (24), data em que a companhia completa 49 anos de operação. A estratégia de expansão econômica ocorre no momento em que a empresa ainda lida com as obrigações judiciais e o passivo socioambiental decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, em 2015.
De acordo com os dados operacionais divulgados pela mineradora, a Samarco funciona atualmente com cerca de 60% de sua capacidade total. No ano de 2025, a comercialização atingiu 15,9 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro.
O investimento bilionário projetado tem como foco estruturar as unidades de Minas Gerais e do Espírito Santo — conectadas por um mineroduto de 400 quilômetros — para suprir o déficit de 40% da capacidade que ainda encontra-se inativo e atingir o patamar máximo de operação ao fim desta década.
A retomada da capacidade máxima de produção da mineradora está atrelada ao cumprimento das reparações do desastre em Mariana, que forçou uma reformulação na atividade da empresa. Atualmente, a Samarco afirma operar sob um novo sistema de disposição de rejeitos, sem a utilização de barragens convencionais.
No âmbito jurídico, a companhia está submetida ao Novo Acordo do Rio Doce, recentemente homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O documento obriga o pagamento de R$ 170 bilhões, que devem ser destinados a ações de reparação e compensação nos territórios atingidos pela lama.
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Agenda corporativa
O detalhamento dos investimentos ocorre durante a Exposibram 2026, evento do setor minerário promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) em Belo Horizonte, entre os dias 24 e 27 de agosto.
Em nota institucional, o presidente da Samarco, Rodrigo Vilela, abordou a necessidade de conciliar a meta de crescimento com as dívidas socioambientais. Segundo o executivo, o objetivo da mineradora no atual cenário é “crescer, concluir nossos compromissos de reparação e continuar contribuindo para o desenvolvimento dos territórios”, ressaltando que a empresa passa por reformulações operacionais de segurança.
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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
