Mais de 6 mil pessoas, segundo estimativa da Guarda Municipal, ocuparam as ruas de Ouro Preto nesta sexta-feira (9) em uma manifestação pacífica. O ato, organizado por estudantes, professores e integrantes de movimentos sociais, teve como pautas a defesa da democracia, o apoio à educação pública e a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O movimento teve concentração no campus Morro do Cruzeiro da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e seguiu em passeata pela cidade. A mobilização também foi uma resposta direta ao clima de tensão instaurado nos últimos dias, após o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) – Campus Ouro Preto registrar denúncia na Polícia Federal sobre mensagens violentas e de cunho LGBTfóbico em um grupo de WhatsApp associado a alunos.
Um estudante da UFOP e ex-aluno do IFMG relatou ter recebido ameaças diretas após publicações sobre as eleições, o que o levou a registrar um boletim de ocorrência. A Polícia Civil também investiga o caso. A direção do IFMG já havia esclarecido que o grupo não é institucional e que os envolvidos identificados responderão a procedimentos internos e legais. Por precaução, os organizadores do protesto articularam medidas de segurança prévias com autoridades locais para garantir o acompanhamento policial durante o evento.
Zion Trevisani, estudante de Engenharia Urbana da UFOP, uma das lideranças do movimento e um dos alunos que sofreram ameaças diretas durante a semana, discursou sobre a motivação da passeata. “Os estudantes estão na rua porque a gente está a defender a nossa universidade pública, o nosso Instituto Federal. E a gente está nas ruas com muita força, coragem e resistência, porque nesta semana nós sofremos ataques de ódio, ameaças de morte”, relatou. Para ele, o momento exige mobilização ativa. “A gente vai resistir e continuar a lutar. O ato de hoje é uma resposta a esses ataques e, mais ainda, a defesa da universidade pública e de eleger Lula presidente”, completou Zion.


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O deputado estadual Leleco Pimentel (PT), que já havia acionado a Polícia Federal sobre as ameaças, esteve presente e avaliou o impacto do protesto. “O ato é uma resposta ante a violência que tentaram imprimir pelas redes sociais, ofertando todo tipo de violência contra a população LGBT, contra os negros e contra esta população que hoje defende a universidade. Este ato foi histórico porque reivindica Lula e reivindica os direitos. É tempo de esperançar, e o que nós vimos aqui foi Paulo Freire nessas mentes que saíram às ruas para evitar que suas vozes sejam caladas”, declarou o parlamentar.
A manifestação contou ainda com a presença do prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo (PV), e dos vereadores Wemerson Titão (PT), Kuruzu (PT) e Matheus Pacheco (PV), além do vereador de Mariana, Pedro Sousa (PV), artistas e professores do IFMG e UFOP.


O protesto em Ouro Preto reflete um cenário de mobilizações estudantis que se espalhou por universidades de todo o país após o primeiro turno das eleições. Nesta semana, milhares de universitários e secundaristas também promoveram marchas em defesa da educação em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
