Usuários relatam atrasos, sujeira e mau cheiro em ônibus da Viação Pássaro Verde; empresa admite falhas

Passageiros que utilizam o transporte intermunicipal da Viação Pássaro Verde denunciaram problemas recorrentes na prestação dos serviços, como veículos sujos, com mau cheiro, pneus carecas, ausência de cintos de segurança e atrasos constantes nas viagens que atendem dezenas de municípios mineiros, incluindo Ouro Preto, Belo Horizonte, Ponte Nova, Viçosa e Diamantina.

Os relatos foram apresentados durante audiência pública da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta quarta-feira (28), a pedido do vice-presidente da comissão, deputado Leleco Pimentel (PT).

Conforme levantamento citado na reunião, cerca de 200 reclamações de passageiros foram registradas nos últimos 15 dias em linhas que passam pela região da Serra do Caraça, em municípios como Catas Altas e Santa Bárbara. Entre as queixas estão a venda de passagens excedentes ao número de poltronas, crianças sentadas no chão e falhas no sistema de ar-condicionado.

Passageiros relataram perda de confiança na concessionária, que completa 70 anos de fundação. O advogado Rogério Fernandes contou que enfrentou transtornos graves em viagens entre a Capital e Ouro Preto, relembrando um episódio na Serra de Itabirito em que o porta-malas de um ônibus abriu e a bagagem se espalhou pela rodovia. Já Sidnéa Francisca dos Santos, moradora de Ouro Preto que utiliza a linha com destino a Minas Novas, destacou a falta de horários fixos diretos e o risco de interrupção nas viagens devido à má conservação da frota, lembrando o caso de um ônibus da empresa que pegou fogo nas rodovias mineiras em agosto.

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Posição da empresa e fiscalização

Representando a Viação Pássaro Verde, a procuradora Rejane Suely de Sena Luberiaga reconheceu as falhas e afirmou que a empresa assume o “mea-culpa”, alegando estar constrangida com a situação. Ela justificou que os problemas foram agravados pelos impactos financeiros da pandemia e pela concorrência com o transporte clandestino.

Apesar disso, a procuradora anunciou a chegada recente de quatro veículos novos para a região de Ouro Preto e o remanejamento de outros nove ônibus de empresas do grupo. Segundo ela, dez novos veículos estão sendo encarroçados para ampliar a frota e outros investimentos estão previstos. Sobre os atrasos, a representante pontuou que o tráfego pesado na BR-356, utilizada como rota de desvio por motoristas que buscam evitar pedágios, também afeta os horários das linhas.

O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) informou que o sistema de transporte enfrenta um colapso e que contabilizou 384 autos de infração aplicados à Pássaro Verde apenas em 2026. A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) apontou a necessidade de revisar o regulamento do setor, datado de 2007.

Diante do cenário, a Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização realizará uma visita técnica à garagem da empresa em 9 de novembro para inspecionar as instalações e os veículos, seguida por uma nova audiência para discutir providências.

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