Professor percorre trajeto do rompimento da barragem de Mariana

Professor percorre trajeto do rompimento da barragem de Mariana

O professor Rodrigo Bezerra, de Linhares (ES), iniciou uma expedição pelos territórios afetados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015. O trabalho é realizado com apoio da Coppo Consultoria e Projetos e tem como objetivo registrar histórias de moradores atingidos. Na primeira fase da viagem, Rodrigo esteve acompanhado do designer Patrick Amâncio e percorreu oito municípios mineiros, passando por Bento Rodrigues, Mariana, Barra Longa, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado, Santana do Deserto e Ipatinga.

Segundo Rodrigo, a proposta é transformar os relatos em livro e também divulgar os registros em redes sociais. Ele explica: “A partir dessa experiência quero contar para o mundo uma história bem positiva, de pessoas inspiradoras, resgatar memórias de sucesso, fé, reinvenção. Estou acreditando numa retomada de vida maravilhosa dos moradores impactados”.

A viagem teve início em 18 de julho, em Bento Rodrigues, primeiro local atingido pela lama. Nesse território, Rodrigo conheceu Paula Alves, moradora que no dia do rompimento saiu pelas ruas alertando vizinhos. “Estando frente a frente com a Paula, pude mais uma vez me emocionar com seu incrível depoimento, uma forma singela de viver sua vida e ressignificar sua trajetória pós-trauma”, afirmou.

Na sequência, em Mariana, Rodrigo relatou a memória da comunidade quilombola “minas de Gogô”, lembrada pelo morador Salvador Alves de Freitas. Sobre o rio Gualaxo, ele destacou: “Suas margens foram significativamente restauradas, de modo que não dava para se ter uma visão de resquícios que remetesse à maior tragédia ambiental da história do Brasil”.

Em Barra Longa, Rodrigo ouviu moradores sobre histórias locais e acompanhou a narrativa de Daniel Kafuri, que relatou a lenda do caboclo d’água. Ainda no município, conversou com o poeta Sérgio Fábio do Carmo, conhecido como Papagaio, que apresentou composições relacionadas ao processo de indenizações.

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Já em Rio Doce, ele registrou a organização urbana e destacou a receptividade de moradores como Dona Rocelis, comerciante, e o tropeiro Antônio Cenachi, com quem tocou gaita. Em Santa Cruz do Escalvado, conheceu o projeto de preservação ambiental de João Bosco. Em Santana do Deserto, a passagem coincidiu com a festa da padroeira no Santuário de Nossa Senhora do Rosário.

Na etapa de Ipatinga, Rodrigo ressaltou a experiência com moradores como Reinaldo da Silva e sua família, além da visita ao Parque Ipanema. Ele também relatou a história de Márcia, que após receber indenização, iniciou um negócio de doces com a irmã.

A segunda fase da expedição começará em 22 de setembro, com saída de Governador Valadares e chegada à foz do Rio Doce, em Regência (Linhares/ES). O livro “O Vagão de Bento” reunirá os relatos registrados ao longo do percurso.

Fonte: Folha do ES

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