Suspeita de fraude em mutirão de oftalmologia gera apuração em Ouro Branco

Suspeita de fraude em mutirão de oftalmologia gera apuração em Ouro Branco

Denúncias de possíveis irregularidades em atendimentos oftalmológicos realizados em Ouro Branco motivaram debate na Câmara Municipal na noite de terça-feira (17). Parlamentares pediram investigação rigorosa sobre um mutirão promovido por meio de parceria entre o poder público e uma associação privada, suspeito de servir como canal para comercialização de óculos.

De acordo com relatos reunidos durante as apurações, o serviço era ofertado gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS), com divulgação institucional. No entanto, pacientes afirmam que os exames realizados não seguiam protocolos técnicos adequados, como a ausência de dilatação da pupila, procedimento considerado essencial para diagnósticos mais precisos.

Outro ponto destacado envolve a condução dos atendimentos após as consultas. Segundo os depoimentos, moradores eram direcionados a espaços próximos, como centros comunitários e pátios de igrejas, onde havia estruturas montadas para venda de armações. Pacientes relatam insistência por parte de vendedores para a compra imediata dos óculos.

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As suspeitas indicam ainda que todos os atendidos recebiam prescrição para uso de óculos, o que levanta questionamentos sobre possível direcionamento comercial. Especialistas apontam que condicionar o exame à aquisição de produtos pode caracterizar prática de “venda casada”, vedada pelo Código de Defesa do Consumidor e incompatível com a ética médica.

Durante a sessão, a vereadora Branca Castilha defendeu celeridade na apuração e maior rigor na formalização de parcerias. Já a vereadora Nilma Aparecida afirmou que, caso as irregularidades sejam confirmadas, os pacientes devem ser ressarcidos por eventuais prejuízos.

Os parlamentares informaram que a Prefeitura deve divulgar uma nota oficial com esclarecimentos sobre o mutirão. As investigações seguem em andamento para identificar responsabilidades e verificar a legalidade dos contratos firmados.

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