Os impactos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, continuam sendo tema de pesquisas que buscam entender as consequências do desastre para as comunidades atingidas, assim como na pesquisa intitulada: “Autonomia econômica das mulheres da cadeia da pesca artesanal atingidas pelo rompimento da barragem do Fundão”. A dissertação foi defendida por Raniere Sabará, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade Socioeconômica Ambiental (PPGSSA) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
O estudo revelou que a falta de reconhecimento do trabalho das mulheres na pesca artesanal dificulta acesso a políticas de reparação e perpetua desigualdades econômicas nas comunidades atingidas, a partir da análise dos efeitos econômicos do rompimento sobre a pesca artesanal na Bacia do Rio Doce.
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A dissertação propõe que as políticas de reparação passem a considerar melhor a realidade das mulheres na pesca artesanal, reconhecendo diferentes formas de trabalho e buscando reduzir desigualdades. Além disso, mostra que a interrupção da pesca provocou uma queda significativa na renda das famílias que dependiam dela.
Raniere explica que, “do ponto de vista econômico, o primeiro ponto que precisaria mudar é a forma como o trabalho é reconhecido”. Isso porque, segundo ela, “as políticas de reparação operam com uma definição estreita de atividade produtiva, baseada em ocupações formais e individualizadas, enquanto a pesca artesanal — especialmente no caso das mulheres — se organiza em torno da pluriatividade, do trabalho familiar e de funções historicamente invisibilizadas”, acrescentando que, sem a incorporação dessas “dimensões, qualquer critério de elegibilidade continuará produzindo subcobertura”.
Entre os resultados da pesquisa, estão o aumento da informalidade e a exclusão de parte das mulheres das políticas voltadas à retomada da atividade e que a falta de ações sensíveis às questões de gênero pode dificultar a reconstrução das condições de trabalho e renda nas comunidades atingidas.
Além disso, “a pesquisa ajuda a evidenciar uma dimensão menos visível dos impactos do rompimento, relativa à forma como as perdas econômicas se reorganizam ao longo do tempo e dentro das próprias famílias”, explica a pesquisadora. “Para além dos danos imediatos, os dados mostram um processo contínuo de redução de renda, mudança forçada nas ocupações e fragilização dos meios de vida na pesca artesanal”, destaca Raniere.
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Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto e estagiária no Jornal Geraes e na Rádio Real FM.
