A Operação Parcours, conduzida pela Polícia Federal, avançou sobre um possível esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado dois servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM). A investigação apura um esquema de mineração ilegal, corrupção e crimes ambientais na Serra do Curral, em Minas Gerais.
O relatório mais recente da PF aponta que Leandro Cesar Ferreira de Carvalho e Claudinei Oliveira Cruz mantinham núcleos financeiros operados por suas esposas, responsáveis, segundo os investigadores, por movimentar recursos supostamente ilícitos, adquirir bens de alto valor e realizar pagamentos em espécie.
De acordo com informações do Observatório da Mineração, a análise do material apreendido revelou possíveis conexões de Carvalho com o empresário Lucas Kallas, investigado no contexto das supostas fraudes relacionadas à exploração ilegal de minério na mina Corumi, em Belo Horizonte. O relatório também aponta relações dos dois servidores da ANM com Luis Fernando Franceschini da Rosa, identificado como controlador do grupo econômico que reúne Empabra, Green Metals e Fides, por intermédio de um operador investigado pela PF.
Além das movimentações bancárias consideradas atípicas, a investigação identificou mensagens, registros de depósitos em dinheiro, pagamentos de boletos em espécie e negociações de imóveis e bens de luxo. A PF também relata o uso de expressões codificadas para tratar de valores em dinheiro, especialmente no núcleo atribuído a Claudinei.
Os investigadores afirmam que Janaísa Dias Mendes teria figurado como titular formal de patrimônio de alto padrão vinculado a Leandro Cesar, enquanto Kelly Cristina Bonifácio Oliveira Cruz seria responsável pela administração da empresa e de recursos mantidos fora do sistema bancário formal.
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Ao final do relatório, a PF conclui que há indícios de participação das duas mulheres na operacionalização financeira das vantagens consideradas ilícitas, motivo pelo qual ambas foram indiciadas por lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O que diz a defesa dos indiciados
Em nota, a defesa de Claudinei Oliveira Cruz e Kelly Cristina Bonifácio Oliveira Cruz declarou que qualquer posicionamento será apresentado somente no âmbito judicial. O escritório que representa Leandro Cesar Ferreira de Carvalho e Janaísa Dias Mendes informou, por sua vez, que não prestará informações à imprensa sobre a investigação.
A defesa de Luis Fernando Franceschini da Rosa informou que o investigado optou por não se manifestar publicamente sobre o caso neste momento da investigação da Polícia Federal.
A assessoria de Lucas Kallas enviou uma nota em que afirma que os fatos mencionados na investigação já foram arquivados. “A defesa tem plena confiança na demonstração de inocência de Lucas Kallas, pois o indiciamento requenta fatos antigos, já investigados e arquivados pela Justiça. Lucas não tem relação com a empresa investigada desde 2017 e, antes disso, havia sido apenas investidor”, diz sua defesa.
Com informações do Observatório da Mineração
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Mateus Del’Amore é estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com interesse em jornalismo político e cultural, especialmente na cobertura de cinema e do audiovisual.
