O senador e ex-jogador Romário voltou ao centro do debate político nas últimas semanas ao conciliar a cobertura da Copa do Mundo de 2026 como comentarista da CazéTV com o exercício do mandato no Senado Federal.
Além da discussão sobre sua atuação parlamentar durante a viagem aos Estados Unidos, o parlamentar também passou a ser alvo de questionamentos por sua relação com a plataforma de apostas Superbet, pouco tempo após ter atuado como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas.
A presença de Romário na cobertura do Mundial gerou repercussão porque ele optou por não se licenciar do mandato. Como o Senado realiza sessões semipresenciais até o recesso parlamentar, o senador continuou registrando presença e participando das votações de forma remota, conforme permitem as regras da Casa.
Romário anuncia devolução do salário
Após críticas sobre o recebimento do salário de senador enquanto trabalhava como comentarista esportivo, Romário informou que abriu mão da remuneração referente ao período em que permanecerá acompanhando a Copa do Mundo.
Em discurso remoto no plenário, o parlamentar afirmou que encaminhou um ofício à Presidência do Senado solicitando que não receba o subsídio entre o início e o fim da competição e declarou que devolverá aos cofres públicos qualquer valor eventualmente pago nesse intervalo. Segundo ele, a decisão de permanecer no exercício do mandato teve como objetivo garantir sua participação na votação da proposta que extingue a escala de trabalho 6×1.
Publicidade da Superbet motivou representação à PGR
Paralelamente à discussão sobre sua atuação durante a Copa, Romário passou a responder a questionamentos relacionados à divulgação da casa de apostas Superbet.
O deputado federal Kim Kataguiri protocolou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a apuração de possível irregularidade em uma publicação feita por Romário para divulgar uma entrevista em seu canal no YouTube.
Segundo Kataguiri, a postagem promovia a Superbet sem a identificação obrigatória de conteúdo publicitário prevista no Código de Defesa do Consumidor. Na representação, o deputado também argumenta que existe uma aparente incoerência entre a divulgação da empresa de apostas e o fato de Romário ter sido relator da CPI das Apostas Esportivas entre 2024 e 2025.
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Defesa de Romário diz que não houve incentivo às apostas
Em nota divulgada após a representação, a assessoria de Romário afirmou que não existe contrato comercial entre o senador e a Superbet.
Segundo a defesa, quem mantém contrato de patrocínio com a empresa é a Romário TV, canal apresentado pelo senador no YouTube. A nota informa que a Superbet patrocina o projeto há cerca de um ano e também patrocinava o ex-jogador Cafu, entrevistado no conteúdo questionado.
Ainda de acordo com a assessoria, a publicação tinha como objetivo apenas divulgar uma entrevista sobre futebol gravada em um estúdio patrocinado pela empresa. A defesa sustenta que Romário não incentivou apostas, não divulgou bônus, promoções ou links de cadastro e retirou voluntariamente a postagem para evitar dúvidas sobre sua identificação publicitária.
Na mesma manifestação, a assessoria também rebateu a associação entre a publicidade e o trabalho desenvolvido por Romário na CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas.
Segundo a nota, a comissão tinha como objetivo investigar organizações criminosas envolvidas em manipulação de resultados esportivos, e não impedir o patrocínio de empresas de apostas a veículos de comunicação ou eventos esportivos.
Como relator da comissão, Romário apresentou um relatório com pedidos de indiciamento, encaminhamentos ao Ministério Público e à Polícia Federal e propostas legislativas voltadas ao combate à manipulação de resultados em competições esportivas. Entre os investigados esteve William Pereira Rogatto, citado no relatório da CPI.
Enquanto isso, a atuação simultânea como senador, comentarista esportivo e apresentador de um canal patrocinado por uma empresa de apostas continua alimentando debates no meio político e nas redes sociais, sobretudo diante do crescimento do mercado de apostas esportivas no Brasil e da repercussão das investigações conduzidas pelo Congresso Nacional.
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