Com artistas de vários países, MARTE Festival reuniu um grande público em Ouro Preto

Com artistas de vários países, MARTE Festival reuniu um grande público em Ouro Preto

Durante dois dias de programação, o MARTE Festival 2026 reuniu em Ouro Preto artistas, pesquisadores, pensadores e o público em uma edição marcada pelo tema “O Futuro é Ancestral”, articulando arte, tecnologia, memória e ancestralidade a partir das perspectivas do Sul Global.

Na sexta-feira (24), o festival abriu sua programação com o tradicional Cortejo da Guarda de Congo Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia, seguido pelas apresentações de Djuena Tikuna, Assucena, Otros Aires (Argentina) e Metá Metá, além da performance aérea da Cia Base Vertical, que ocupou o céu da Praça Tiradentes com o espetáculo do Homem Gaiola integrado ao mapping a laser.

Ao longo do dia, o MARTE Lab promoveu conferências e painéis que reuniram pesquisadores, artistas e especialistas para discutir temas como espiritualidade, inteligência artificial, racismo algorítmico, patrimônio cultural, criação musical, memória, cultura digital e os desafios da produção artística contemporânea.

Em razão das fortes chuvas que atingiram Ouro Preto na tarde de sexta-feira, uma das atividades do MARTE Lab precisou ser interrompida e a programação artística teve seu início adiado por questões de segurança. Ainda assim, todas as apresentações musicais foram realizadas e o festival manteve integralmente sua programação de shows. O debate que não pôde ser concluído será disponibilizado em formato online a partir do dia 31 de julho, garantindo o acesso do público ao conteúdo previsto.

No sábado (25), o festival deu continuidade à sua programação com os shows de Estela Ceregatti, Catalina Telerman (Argentina), Purahéi Soul (Paraguai), Craca & Sandra X, Faizal Mostrixx (Uganda) e Félix Robatto, aproximando diferentes expressões musicais e artísticas da América Latina e da África.

A programação contou ainda com uma nova apresentação da Cia Base Vertical, novamente integrada ao mapping do Homem Gaiola, além da caminhada performática conduzida por Marcelino Xibil e Lalai Persson, que convidou o público a experimentar a cidade a partir de novas relações entre território, corpo e memória.

Também no sábado, o MARTE Festival, em parceria com a União Brasileira de Compositores (UBC), promoveu uma série de encontros voltados aos desafios e às oportunidades da música no contexto latino-americano, reunindo compositores, artistas, gestores e profissionais do setor para discutir circulação, direitos autorais, criação e cooperação regional.

Além de apresentar espetáculos e conferências, o MARTE consolidou sua vocação como espaço de pensamento, experimentação e intercâmbio internacional, aproximando diferentes modos de produzir conhecimento e ampliando o debate sobre inovação a partir de uma compreensão expandida da tecnologia — entendida não apenas como desenvolvimento digital, mas como téchne: o saber-fazer, a criação e a capacidade humana de transformar o mundo.

Realizado em Ouro Preto, cidade cuja própria história foi construída por sofisticados conhecimentos técnicos, artísticos e construtivos, o festival evidenciou que memória e futuro não ocupam lugares opostos. Ao contrário, são dimensões complementares de uma mesma trajetória, em que a ancestralidade continua sendo uma fonte de criação para os desafios contemporâneos.

Com milhares de participantes, artistas de seis países e dezenas de atividades gratuitas, o MARTE Festival 2026 encerra sua sexta edição consolidando-se como um dos principais espaços brasileiros dedicados ao diálogo entre arte, cultura, tecnologia e pensamento contemporâneo.

O debate interrompido pelas condições climáticas será disponibilizado em formato online a partir do dia 31 de julho, permitindo que o público acompanhe integralmente a programação proposta pelo MARTE Lab.

O MARTE Festival é realizado pela Ultra Music, em coautoria com a Casa 29 Produtora e a Atma Music, com patrocínio da Claro. A iniciativa conta com o apoio da Prefeitura de Ouro Preto e da UBC (União Brasileira de Compositores), e é viabilizada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, com recursos do Ministério da Cultura/Governo Federal.

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