Em Belo Horizonte, uma mulher acusada de matar o companheiro após um suposto caso de abuso sexual contra a própria filha foi absolvida pelo júri popular formado por quatro homens e três mulheres, no 2º Tribunal do Júri. O Conselho de Sentença considerou a mulher inocente, durante a sessão realizada na última terça-feira (24).
Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o crime ocorreu na madrugada de 11/03/25 no bairro Taquaril, região leste da capital. A vítima, Everton Amaro da Silva, de 47 anos, mantinha um relacionamento amoroso com a acusada.
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No dia do crime, a mãe teria colocado um remédio sedativo na bebida do companheiro para dopá-lo. Após o homem ingerir a substância e adormecer, ela teria iniciado uma série de agressões com faca e um pedaço de madeira.
Ainda conforme a denúncia, a mulher teria mutilado a vítima, cortando seu órgão genital, e, em seguida, ateado fogo ao corpo. O Ministério Público apontou também que ela contou com a ajuda de um adolescente para arrastar o corpo até uma área de mata, onde parte das ações teria ocorrido.
A denúncia condenava à acusada os crimes de homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de destruição de cadáver e corrupção de menor.
A juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti julgou improcedente a denúncia do MPMG.
Durante o interrogatório no 2º Tribunal do Júri, a mulher afirmou que conhecia a vítima desde a infância e que eles mantinham um relacionamento amoroso esporádico. Segundo ela, o homem era livre, mas tinha o costume de ficar na casa dela.
A ré relatou que, semanas antes do crime, descobriu que o companheiro enviava mensagens de cunho sexual para sua filha, que na época tinha 11 anos. No dia do ocorrido, o homem chegou embriagado à residência.
Ela negou ter dopado a vítima ou mantido relação sexual com ele naquela noite, e durante a madrugada, acordou com a filha gritando e encontrou o homem sobre a criança, com a calça abaixada e tentando silenciá-la.
Nesse momento, afirmou que conseguiu arrastar o homem até a sala da casa, pegou uma faca e desferiu vários golpes nele, e alegou que só conseguiu arrastar e esfaquear o homem porque ele estava com a calça abaixada.
Depois de matá-lo, um jovem ouviu os barulhos da movimentação e entrou na residência. Só então, eles combinaram de tirar o corpo da casa e levar até uma região de mata. Foi nesse local, segundo ela, que ateou fogo no corpo da vítima.
Ao fim do julgamento, o Conselho de Sentença considerou a ré inocente. Com base na decisão dos jurados, a juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti julgou improcedente a denúncia do MPMG, absolvendo a acusada.
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Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto e estagiária no Jornal Geraes e na Rádio Real FM.
