Hospital Colônia de Barbacena será fechado após transferências

Hospital Colônia de Barbacena será fechado após transferências

O Governo de Minas anunciou o encerramento definitivo das atividades do antigo Hospital Colônia de Barbacena, com a transferência dos últimos 12 pacientes ainda internados na unidade. A medida foi divulgada nesta terça-feira (28), durante agenda oficial no município.

Segundo o vice-governador Mateus Simões, os pacientes remanescentes — todos sem vínculo familiar — serão levados para outra instituição da cidade. Eles apresentam condições específicas de saúde e não se comunicam verbalmente. A nova estrutura ficará sob responsabilidade da prefeitura, mas, até o momento, o destino exato não foi informado.

A previsão do governo é que a transferência ocorra no próximo mês. O anúncio foi feito durante o período em que Barbacena exerce o título simbólico de capital itinerante de Minas Gerais, que se estende até quinta-feira (30).

De acordo com Simões, o fechamento marca o fim de um ciclo histórico. “As últimas pessoas que permanecem internadas serão acolhidas em outro modelo de assistência, fora da estrutura atual, permitindo encerrar esse capítulo”, afirmou.

O espaço, que teve início de desativação ainda nos anos 1980, funciona atualmente como Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), voltado para práticas de cuidado em saúde mental com abordagem humanizada. Parte do complexo também abriga o Museu da Loucura, dedicado à preservação da memória da instituição.

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Histórico de violações

Fundado em 1903, o Hospital Colônia ficou conhecido ao longo do século 20 por graves violações de direitos humanos. A unidade recebia pessoas sem diagnóstico médico formal e mantinha internações compulsórias em larga escala.

Estima-se que cerca de 60 mil pessoas tenham morrido no local, em decorrência de maus-tratos, abandono e condições precárias. Os internos eram submetidos a situações degradantes, como dormir diretamente no chão, em espaços sem estrutura adequada.

Apenas uma parcela dos pacientes tinha diagnóstico de transtornos mentais. Entre os internados estavam pessoas marginalizadas socialmente, como mulheres consideradas “indesejadas”, homossexuais, opositores políticos e indivíduos com deficiência ou outras condições.

Parte das vítimas não teve sepultamento formal. Em alguns casos, corpos foram destinados a instituições de ensino. A Universidade Federal de Minas Gerais chegou a reconhecer publicamente a utilização de cadáveres oriundos do hospital em aulas de anatomia.

O histórico do Colônia inspirou a obra “Holocausto Brasileiro”, da jornalista Daniela Arbex, que documenta os abusos cometidos na instituição e contribuiu para ampliar o debate sobre a reforma psiquiátrica no país.

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