Instagram derruba conta de influenciadora de Ouro Preto por decisão automatizada e expõe avanço da moderação por IA

Instagram derruba conta de influenciadora de Ouro Preto por decisão automatizada e expõe avanço da moderação por IA

A influenciadora digital, cantora, compositora e multi-instrumentista Joy Albuquerque, de Ouro Preto, teve sua conta no Instagram desativada permanentemente pela Meta em 15 de maio após uma decisão automatizada da plataforma. Segundo e-mails enviados pela empresa, a remoção ocorreu após a tecnologia do Instagram identificar supostas violações às diretrizes da comunidade.

Segundo relatos da influenciadora, o perfil foi inicialmente removido após a publicação de um vídeo satírico relacionado a uma discussão envolvendo a Anvisa. Depois de recorrer da decisão, Joy recebeu um e-mail do Instagram informando que a remoção havia sido um erro e que tanto o vídeo quanto a conta tinham sido restaurados. Menos de 24 horas depois, no entanto, o perfil voltou a ser derrubado e acabou desabilitado permanentemente.

Nos e-mails enviados à criadora de conteúdo, a própria plataforma afirma que a decisão foi tomada por tecnologia automatizada. Em um dos trechos compartilhados por Joy, o Instagram informa que “nossa tecnologia detectou que sua conta (ou a atividade nela) não segue nossas regras e, por isso, tomou uma medida”.

O episódio ocorre em meio ao crescimento de relatos semelhantes envolvendo influenciadores, pesquisadores, comunicadores e criadores de conteúdo que afirmam ter tido perfis suspensos ou excluídos sem explicações detalhadas e com dificuldades para obter revisão humana das decisões.

Crescimento acelerado antecedeu exclusão do perfil

Joy Albuquerque afirma que seu perfil vinha registrando forte crescimento nas semanas anteriores à exclusão. Segundo ela, cerca de 40 mil seguidores foram conquistados em aproximadamente um mês, impulsionados pelo alcance de vídeos publicados na plataforma.

A influenciadora relata que conteúdos seus chegaram a ser compartilhados por artistas conhecidos, como Anitta e Daniela Mercury. Ela afirma ainda que o crescimento do perfil começava a atrair oportunidades profissionais e negociações comerciais.

De acordo com Joy, o vídeo que desencadeou a primeira remoção fazia uma sátira a conteúdos publicados por usuários durante discussões relacionadas à Anvisa. Segundo o relato, o objetivo do material era ironizar vídeos considerados absurdos pela influenciadora, envolvendo pessoas ingerindo produtos inadequados.

Após a publicação, o conteúdo foi removido pela plataforma sob alegação de violação das diretrizes da comunidade. Joy utilizou o mecanismo de contestação oferecido pelo Instagram e recebeu posteriormente um e-mail informando que a remoção havia sido equivocada.

Segundo ela, a plataforma reconheceu o erro, restaurou o vídeo e reativou a conta.

Conta voltou a cair após novo reporte

A influenciadora afirma que, depois da restauração do perfil, seguidores começaram a relatar problemas no vídeo anteriormente removido. Diante disso, ela própria teria feito um novo reporte do conteúdo dentro da plataforma.

Segundo o relato, menos de 24 horas depois o Instagram voltou a derrubar a conta. A partir desse momento, Joy afirma que passou pelos procedimentos automáticos de verificação da plataforma, incluindo envio de documento de identidade e reconhecimento facial.

Na sequência, ela recebeu um novo e-mail comunicando a desativação permanente do perfil.

O texto encaminhado pelo Instagram afirma:

“Analisamos sua conta e constatamos que ela ainda não segue nossos Padrões da Comunidade. Como resultado, ela foi desabilitada permanentemente.”

Na mesma mensagem, a plataforma informa:

“Nossa tecnologia detectou que sua conta (ou a atividade nela) não segue nossas regras e, por isso, tomou uma medida.”

Para Joy, os próprios comunicados indicam que a decisão foi tomada por sistemas automatizados.

Após a exclusão permanente, Joy Albuquerque afirma ter procurado um advogado especializado em direito digital para tentar recuperar a conta por vias extrajudiciais e judiciais.

Segundo ela, foi protocolada uma medida de urgência para solicitar a reativação do perfil. A influenciadora afirma que optou pela medida liminar diante do impacto profissional causado pela exclusão.

Joy relata que a conta reunia conteúdo profissional, cronograma de publicações, crescimento de audiência e negociações ligadas a publicidade e patrocínios.

Ela também afirma que decidiu buscar assistência jurídica após tomar conhecimento de outros casos semelhantes envolvendo criadores de conteúdo.

A influenciadora sustenta que o problema pode atingir qualquer usuário da plataforma, principalmente profissionais que utilizam redes sociais como principal ferramenta de trabalho e comunicação.

Moderação automatizada ganhou protagonismo nas plataformas

A Meta, controladora de Instagram, Facebook e Threads, utiliza sistemas automatizados de detecção para identificar possíveis violações das políticas da plataforma.

A empresa já informou publicamente, em diferentes relatórios de transparência, que grande parte das remoções de conteúdo ocorre por meio de ferramentas automatizadas treinadas para detectar spam, nudez, violência, discurso de ódio, desinformação, perfis falsos e outros tipos de infração previstos nas diretrizes da comunidade.

Na prática, esses sistemas funcionam por reconhecimento de padrões, análise de comportamento, denúncias de usuários e modelos de inteligência artificial capazes de classificar conteúdos em escala global.

O crescimento do volume de publicações nas plataformas levou empresas de tecnologia a ampliar a automação da moderação. A própria Meta divulga regularmente números de remoções automatizadas realizadas antes mesmo de denúncias de usuários.

Ao mesmo tempo, pesquisadores e especialistas em direito digital vêm apontando limitações desse modelo, especialmente em casos considerados ambíguos, satíricos, contextuais ou dependentes de interpretação humana.

Entre os principais questionamentos estão:

  • ausência de justificativas detalhadas;
  • dificuldade de acesso a revisão humana;
  • erros de interpretação algorítmica;
  • demora na análise de recursos;
  • impactos financeiros sobre usuários profissionais;
  • falta de transparência sobre critérios utilizados pelos sistemas.

Outros influenciadores também relataram exclusões recentes

Instagram derruba conta de influenciadora de Ouro Preto por decisão automatizada e expõe avanço da moderação por IA
Outros influenciadores tiveram suas contas do Instagram derrubadas pela Meta nos últimos meses / Foto: Reprodução.

O caso de Joy Albuquerque não é isolado.

Nos últimos meses, diferentes criadores de conteúdo relataram suspensões ou exclusões de perfis atribuídas à moderação automatizada da Meta.

Entre os episódios recentes estão os casos envolvendo o educador Thiago Torres, conhecido como Chavoso da USP, o humorista Tiago Santineli e a pesquisadora Bruna Santiago.

Os três relataram exclusões de contas e dificuldades para recuperar perfis ligados às suas atividades profissionais e projetos digitais.

No caso de Bruna Santiago, a exclusão de um perfil pessoal acabou provocando a derrubada de outras contas associadas, incluindo páginas voltadas a projetos educacionais e grupos de estudos.

Já em maio de 2026, a influenciadora Catharina Doria, conhecida por produzir conteúdo sobre ética em inteligência artificial, também relatou a suspensão de duas contas no Instagram.

Segundo a BBC, via G1, uma das páginas foi derrubada imediatamente após ser criada, antes mesmo da publicação de qualquer conteúdo.

Catharina afirmou à reportagem que recebeu notificações automáticas alegando violação das diretrizes da comunidade e associação com outra conta supostamente irregular.

A Meta não comentou especificamente os casos citados e também não esclareceu publicamente se houve revisão humana das decisões.

Leia também:

LGPD prevê revisão de decisões automatizadas

No Brasil, discussões sobre decisões automatizadas também envolvem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O artigo 20 da legislação prevê que titulares de dados podem solicitar revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado quando essas decisões afetarem seus interesses.

Especialistas em direito digital apontam que esse debate ganhou relevância à medida que plataformas passaram a utilizar inteligência artificial em processos decisórios ligados à moderação de conteúdo, alcance, monetização e suspensão de contas.

Na prática, porém, usuários frequentemente relatam dificuldades para acessar canais efetivos de revisão humana.

Além da LGPD, o tema também envolve relações de consumo. Juristas apontam que plataformas digitais prestam serviços aos usuários, especialmente quando os perfis possuem finalidade comercial, profissional ou empresarial.

Crescimento da dependência econômica das redes amplia impacto das suspensões

A exclusão de uma conta em rede social deixou de representar apenas a perda de um perfil pessoal.

Hoje, influenciadores, artistas, jornalistas, pequenos empreendedores, profissionais autônomos e empresas utilizam plataformas digitais como ferramenta de trabalho, divulgação, atendimento, publicidade e monetização.

Em diferentes casos recentes, criadores de conteúdo têm descrito a suspensão de perfis como perda de portfólio profissional, audiência construída ao longo de anos e canais de comunicação com seguidores e clientes.

O que fazer quando uma conta é derrubada?

Especialistas em direito digital recomendam que usuários adotem medidas imediatas quando um perfil é suspenso ou excluído.

Em artigo publicado no Jusbrasil, a advogada Laura Albertacci orienta que o primeiro passo é tentar resolver a situação pelos próprios mecanismos administrativos disponibilizados pela plataforma.

Segundo a advogada, é importante:

  • tentar acessar novamente a conta;
  • atualizar o aplicativo;
  • utilizar outro aparelho;
  • recorrer pelos canais oficiais da plataforma;
  • registrar prints das mensagens recebidas;
  • guardar e-mails, protocolos e notificações.

A orientação é reunir o máximo possível de provas sobre a suspensão e sobre os conteúdos publicados.

Laura Albertacci destaca ainda que usuários profissionais podem sofrer prejuízos financeiros diretos decorrentes da interrupção da conta, especialmente em casos ligados a publicidade, vendas, prestação de serviços e divulgação de negócios.

De acordo com a advogada, quando as tentativas administrativas não funcionam, usuários podem buscar medidas extrajudiciais e judiciais para solicitar o restabelecimento da conta.

Entre os instrumentos utilizados estão notificações formais às plataformas e pedidos de liminar de urgência para reativação rápida do perfil.

A advogada afirma ainda que ações judiciais podem incluir pedidos de indenização por danos morais e prejuízos financeiros, dependendo do caso concreto.

O artigo completo está disponível em: Jusbrasil – Minha conta foi desativada pelo Instagram, o que fazer?

Quer ficar por dentro das principais notícias da Região dos Inconfidentes e de Minas Gerais? Então, siga o Jornal Geraes nas redes sociais. Estamos no Facebook, no Instagram e no YouTube. Acompanhe!

Notícias relacionadas

Leave a Comment