PF conclui inquérito da Operação Rejeito e indicia dois nomes ligados a Ouro Preto

PF conclui Operação Rejeito e indicia dois nomes ligados a Ouro Preto

A Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Rejeito e indiciou 34 pessoas por suspeita de integrar uma organização criminosa voltada à obtenção de vantagens ilícitas em empreendimentos minerários em Minas Gerais. Entre os indiciados estão dois nomes com ligação direta a Ouro Preto: o ex-presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), João Paulo Martins, e o ex-gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM), Leandro César Ferreira de Carvalho.

Segundo o relatório final da Operação Rejeito, obtido pelo portal O Fator, a Polícia Federal concluiu que o grupo investigado atuava em um esquema que envolvia crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, falsidade documental e fraudes administrativas para favorecer empreendimentos de mineração em áreas protegidas de Minas Gerais.

A organização criminosa atuava por meio de empresários, agentes públicos e empresas utilizadas para ocultar patrimônio e facilitar o licenciamento de empreendimentos minerários. A investigação afirma que servidores de diferentes órgãos ambientais e patrimoniais teriam atuado para favorecer os interesses do grupo.

João Paulo Martins

João Paulo Martins foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional e crime ambiental relacionado à elaboração de documento falso.

Historiador e arquiteto urbanista, João Paulo Martins atuou na Prefeitura de Ouro Preto entre 2016 e 2022, exercendo funções na então Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, posteriormente Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio. No período, presidiu o Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), ocupou a função de chefe de setor da pasta a partir de 2017 e integrou comissões e a gestão de convênios ligados à política de patrimônio cultural do município.

Em maio de 2024, assumiu a presidência do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), cargo que ocupou até setembro de 2025, quando foi exonerado após os desdobramentos da Operação Rejeito.

De acordo com o relatório da PF, órgãos ligados ao patrimônio histórico teriam sido utilizados para acelerar ou favorecer procedimentos relacionados aos empreendimentos investigados.

Leandro César Ferreira de Carvalho

Também indiciado, Leandro César Ferreira de Carvalho é acusado dos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e crime ambiental relacionado à elaboração de documento falso.

Leandro era gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM) em Minas Gerais. Segundo a Polícia Federal, ele esteve envolvido em processos minerários envolvendo empreendimentos no município, especialmente o Projeto Mina Patrimônio, localizado na Serra do Botafogo, em Ouro Preto.

Mensagens analisadas pela PF durante a investigação indicam que Leandro teria sido acionado para agilizar procedimentos administrativos relacionados ao empreendimento. O relatório também afirma que ele teria atuado para acelerar processos minerários e submetido minutas de decisões à aprovação prévia de um dos investigados. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os investigados terão direito à ampla defesa e ao contraditório.

Projeto Mina Patrimônio

O Projeto Mina Patrimônio, em Ouro Preto, é um dos casos analisados pela investigação.

De acordo com a Polícia Federal, a empresa responsável pelo empreendimento teria iniciado atividades de lavra sem aprovação de novo plano de aproveitamento econômico pela ANM, obtido licença ambiental sem manifestação conclusiva do Iphan e omitido a existência de uma cavidade natural identificada em estudos arqueológicos, em área sujeita à proteção espeleológica.

A investigação sustenta que essas irregularidades teriam sido viabilizadas por agentes públicos que atuaram em desacordo com suas atribuições para favorecer o empreendimento.

Operação Rejeito

A Operação Rejeito foi deflagrada em duas fases pela Polícia Federal. A primeira ocorreu em setembro de 2025, com mandados de busca e apreensão em empresas e órgãos públicos. A segunda fase foi realizada neste mês de junho e teve como foco um suposto esquema de monitoramento de autoridades e pessoas de interesse do grupo investigado.

No relatório final, a Polícia Federal afirma que a organização criminosa possuía divisão de tarefas e atuava para influenciar decisões de órgãos ambientais, minerários e de proteção ao patrimônio cultural em favor de empreendimentos de mineração.

Leia mais:

Lista completa de indiciados pela Polícia Federal na Operação Rejeito

  • Alan Cavalcante do Nascimento
  • Helder Adriano de Freitas
  • João Alberto Paixão Lages
  • Noêmia dos Santos
  • Felipe Lombardi Martins
  • Jamis Prado de Oliveira Júnior
  • Diana Morais Aleluia Prado
  • Alexandre Ignácio Gomes Abrantes
  • Alany Cavalcante do Nascimento
  • José Newton Kury de Oliveira Coelho
  • Luiz Alberto Monteiro de Barros (Zeca)
  • Luiz Felipe Ribeiro Monteiro de Barros
  • Henrique Costa de Seabra
  • Jaime Eduardo Fonseca
  • Rafael Nogueira Brandão
  • Lucas Fraga Cruz Cerqueira
  • Gustavo Rezende Calçavari
  • Gabriel Thadeu Baya Andrade
  • Pablo César de Souza (Pablito)
  • Danilo Vieira Júnior
  • Débora Maria Ramos do Nascimento França
  • Ênio Marcus Brandão Fonseca
  • Gilberto Henrique Horta de Carvalho
  • Rodrigo Gonçalves Franco
  • Vitor Reis Salum Tavares
  • Lirriet de Freitas Libório
  • Arthur Ferreira Rezende Delfim
  • Fernando Baliani da Silva
  • Breno Esteves Lasmar
  • Leandro César Ferreira de Carvalho
  • Guilherme Santana Lopes Gomes
  • Caio Mário Trivellato Seabra Filho
  • Fernando Benício de Oliveira Paula
  • João Paulo Martins

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