Um laudo da Polícia Federal do Brasil confirmou que anotações presentes em um livro sob guarda do Museu da Inconfidência foram feitas por Joaquim José da Silva Xavier. O resultado foi divulgado na terça-feira (21), em Ouro Preto, data que marca o feriado nacional em homenagem ao personagem central da Inconfidência Mineira.
De acordo com a direção do museu, a perícia foi conduzida pelo Instituto Nacional de Criminalística e atestou a autoria das anotações manuscritas no exemplar conhecido como “Livro de Tiradentes”. A obra integra o acervo do Arquivo Histórico da instituição e é considerada um dos registros documentais mais relevantes relacionados ao movimento ocorrido no fim do século 18.
O livro analisado é um exemplar publicado em 1778, em Paris, que reúne textos constitucionais ligados à formação dos Estados Unidos, como a Declaração de Independência e documentos iniciais de organização política. O conteúdo circulou entre integrantes da Inconfidência Mineira e teria servido de referência para discussões sobre modelos de governo na então América portuguesa.
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Segundo o diretor do museu, Alex Sandro Calheiros, a confirmação da autoria das anotações amplia o valor histórico do documento. “A partir desse resultado, deixa-se o campo das hipóteses e passa-se a ter uma evidência material direta da atuação de Tiradentes como leitor e interlocutor de ideias políticas”, afirmou.
Registros históricos já indicavam que o livro esteve em posse de Tiradentes antes de sua prisão, em 1789, no Rio de Janeiro. Após o episódio, o exemplar foi apreendido pelas autoridades coloniais durante as investigações da devassa. Décadas depois, permaneceu por mais de um século na Biblioteca Pública de Santa Catarina, até ser devolvido a Ouro Preto em 1984, por articulação do então governador Tancredo Neves.
Com a validação pericial, o documento passa a ser considerado não apenas uma peça associada ao período, mas uma evidência direta da relação de Tiradentes com a leitura e interpretação de ideias políticas em circulação no contexto atlântico do século 18. O museu informou que o resultado deve orientar novas pesquisas e ações de divulgação sobre o acervo.
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Graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e O Mundo dos Inconfidentes.
