Um vídeo gravado nesta semana em Mariana começou a circular nas redes sociais e gerou repercussão ao mostrar turistas em frente ao Pelourinho, na Praça Minas Gerais. Nas imagens, os visitantes imitam pessoas negras escravizadas sendo torturadas, com gestos e encenações feitas diante do monumento, enquanto riem durante a gravação.
A cena, registrada em formato típico de conteúdos para redes sociais, chamou atenção por ocorrer em um espaço reconhecido como símbolo histórico do período colonial e da escravidão no Brasil.
O caso foi divulgado pelo vereador Pedro Sousa, que manifestou indignação nas redes sociais e afirmou que situações semelhantes já foram presenciadas por moradores da cidade. “Quem nasceu em Mariana já presenciou turistas que se sentem à vontade para ir até a Praça Minas Gerais e gravar vídeos ou tirar fotos imitando pessoas pretas escravizadas no Brasil e em nossa própria cidade”, disse.
Ainda segundo o parlamentar, o conteúdo do vídeo representa desrespeito à memória do povo negro e à história local. “Esse tipo de atitude, carregada de estereótipos, dor e desrespeito, fere a dignidade do povo preto, que foi sequestrado da África e, mesmo após tantas marcas da história, ainda precisa lidar com esse tipo de teatro barato”, declarou.
Na publicação, Pedro Sousa também destacou que a escravidão deve ser lembrada como um dos maiores crimes contra a humanidade e que Mariana foi construída com o trabalho de pessoas negras escravizadas. “Turistas que tratam esse sofrimento como entretenimento mostram que ainda precisam aprender muito sobre a história. Para mim, esse tipo de postura não é bem-vinda na nossa cidade”, completou.
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Marco histórico no Centro de Mariana
O Pelourinho de Mariana está localizado na Praça Minas Gerais, entre as igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, no Centro Histórico do município. O monumento é considerado um marco do período colonial brasileiro e atualmente é associado à memória e reflexão sobre a escravidão.
Construído originalmente em 1750, o pelourinho tinha função simbólica ligada ao poder da Coroa Portuguesa e à aplicação da justiça. Historicamente, era utilizado como local de punição pública de pessoas escravizadas. A estrutura existente atualmente é uma réplica instalada em 1970.
Até o momento, não há informações sobre a identificação dos envolvidos no vídeo.
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Bacharel em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com passagens por Jornal O Espeto, Território Notícias e Portal Mais Minas.
