Após quase seis anos fechada para celebrações, a Igreja Matriz de São Bartolomeu, no distrito de São Bartolomeu, em Ouro Preto, voltou a receber fiéis e visitantes nesta terça-feira (7). A reabertura foi marcada por uma missa solene, precedida por uma procissão pelas ruas do distrito e acompanhada por uma apresentação do Coral de Itabirito.
As obras de restauração foram viabilizadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Programa Minas para Sempre, com recursos administrados pelo Semente e execução do Instituto Joaquim Artes e Ofícios. Ao todo, cerca de R$ 7,6 milhões foram investidos na recuperação da estrutura arquitetônica e dos bens artísticos do templo.
Construída em 1721, durante o período barroco, a Matriz de São Bartolomeu é considerada uma das igrejas mais antigas de Minas Gerais. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde a década de 1960, a edificação também integra o conjunto histórico protegido pelo município de Ouro Preto.
Recuperação da estrutura e do acervo
Além da restauração arquitetônica, o projeto contemplou a recuperação de 11 imagens sacras pertencentes à igreja, restauradas pela Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop). Entre elas está a imagem de Nossa Senhora do Carmo, escultura do século XVIII atribuída a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Também retornaram aos altares as imagens de São João Nepomuceno, Santa Efigênia, Sant’Ana, Nossa Senhora do Pilar, São Benedito, Nossa Senhora das Candeias, um Crucificado e um Divino Espírito Santo, todas produzidas no século XVIII.
As intervenções também permitiram preservar elementos históricos do templo, como um raro sino esculpido em madeira, localizado na torre esquerda da igreja.
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Igreja permaneceu fechada desde 2019
A Matriz de São Bartolomeu estava fechada desde 2019 em razão do agravamento das condições de conservação do imóvel. Antes do início das obras, o templo apresentava infiltrações, danos estruturais em elementos de madeira, problemas na cobertura e comprometimento da rede elétrica, situação que levou à interrupção das atividades religiosas por questões de segurança.
O processo de recuperação teve início com obras emergenciais executadas em 2022, destinadas à estabilização da estrutura e ao controle das infiltrações. Na sequência, novas etapas contemplaram a restauração arquitetônica e a conservação dos bens artísticos, concluindo um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos.
Recursos vieram de medidas compensatórias
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, os recursos utilizados na restauração são provenientes de medidas compensatórias, ações de combate à lavagem de dinheiro e da recuperação de valores relacionados à sonegação fiscal.
A recuperação da Matriz integra o Programa Minas para Sempre, iniciativa lançada pelo MPMG em 2023 para financiar a preservação do patrimônio histórico mineiro. Até o momento, o programa já destinou mais de R$ 68 milhões para a recuperação de 56 bens culturais distribuídos em 30 municípios do estado.
Com a conclusão das obras, a comunidade de São Bartolomeu volta a contar com um de seus principais espaços de celebração religiosa e de preservação da memória histórica do distrito.
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