Em Ouro Preto, ao menos 150 imóveis podem ser impactados pela duplicação da BR-356

Em Ouro Preto, ao menos 150 imóveis podem ser impactados pela duplicação da BR-356

Moradores dos bairros Pocinho, Nossa Senhora do Carmo, Novo Horizonte e Jardim Itacolomi, em Ouro Preto (MG), vivem um drama com as medidas impostas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no contrato de concessão da rodovia BR-356. 

Um estudo técnico ligado ao projeto de duplicação da BR-356 identificou que edificações poderão sofrer algum tipo de impacto ao longo do trecho entre Ouro Preto e Mariana. O levantamento inclui residências, hotéis, postos de combustíveis, áreas comerciais, galpões industriais e conjuntos urbanos situados às margens da rodovia.

Segundo os moradores, a principal preocupação está relacionada à possibilidade de desocupações forçadas e demolições de imóveis. Caso as desapropriações sejam confirmadas, a estimativa é de que pelo menos 150 estruturas possam ser impactadas pelas intervenções previstas na rodovia.

Em abril deste ano, uma audiência pública reuniu moradores, representantes políticos e lideranças da região para discutir os possíveis impactos da duplicação da BR-356. Durante o encontro, os participantes apresentaram reivindicações e cobraram esclarecimentos sobre os efeitos das futuras intervenções, especialmente em relação às famílias e comerciantes que vivem há décadas às margens da rodovia entre Ouro Preto e Mariana.

“Moradores, comerciantes, trabalhadores e famílias vivem ali em situação de insegurança e apreensão. Queremos transparências técnicas, responsabilidade pública e respeito às pessoas, famílias e trabalhadores que vivem naquela região”, contou Gabriel Teixeira, morador do bairro Pocinho.

Em entrevista à Rádio Real FM, o vereador Renato Zoroastro destacou que o Legislativo visa encontrar soluções para a comunidade ouropretana. “Acho importante entrar com documento para o Ministério Público para que possa, de uma maneira ou de outra, tentar barrar isso. Enquanto as discussões não sejam realizadas ou colocadas na mesa, que não mexam ali”. 

Notificação de desapropriação

De acordo com relatos de moradores da região,foram surpreendidos com o recebimento de mandados judiciais autorizando a desocupação e, em alguns casos, a possível demolição de imóveis localizados em áreas afetadas pela duplicação da BR-356. As notificações expedidas pela Justiça Federal estabelecem prazos para saída dos ocupantes e preveem remoção forçada, inclusive com o uso da força policial. O processo tramita na Vara Federal da Subseção Judiciária de Ponte Nova.

O levantamento completo utilizado na reportagem está disponível no documento técnico do Programa de Concessões Rodoviárias do Governo de Minas Gerais, disponível no link abaixo:
Cadastro Geral do Sistema Rodoviário — Lote Ouro Preto

A concessão da BR-356 

A duplicação da BR-356 integra o contrato de concessão firmado entre o Governo de Minas Gerais e o consórcio Rota da Liberdade, responsável pela administração de um lote rodoviário de aproximadamente 190 quilômetros entre Nova Lima e Rio Casca. O projeto prevê investimentos estimados em cerca de R$ 5 bilhões, incluindo a duplicação de 78 quilômetros da BR-356 no trecho entre Nova Lima e Mariana. Segundo o cronograma apresentado pelo contrato de concessão, as obras estão previstas para ocorrer entre os anos de 2029 e 2032.

Além da duplicação, o projeto inclui a implantação de terceiras faixas e acostamentos ao longo de todo o trecho concedido, além da construção do Contorno Viário de Cachoeira do Campo, com cerca de 7,3 quilômetros de extensão. Também está prevista a instalação de uma área de escape na Serra da Santa, em Itabirito, considerada um dos pontos mais críticos da rodovia. O contrato ainda prevê serviços de atendimento médico e socorro mecânico 24 horas, implantação de Pontos de Parada e Descanso (PPD) nas proximidades de Amarantina e a criação de um Centro de Controle Operacional para monitoramento da malha viária.

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